sexta-feira, novembro 20, 2009

Deixa estar (Marcelo Camelo)

Ligue, ligue, ligue, ligue para mim
Diga, diga, diga, diga que me ama
Que eu não vou mais implorar
Se quer saber, deixa estar.


Digo que não ligo, mas não vivo sem você
Eu falo, não me calo, tiro sarro
Só pra ver se eu consigo despertar o seu amor
Deixa estar.


Eu sei, que na verdade eu não consigo entender o nosso amor
Que o teu silêncio fala alto no meu peito
E que nós dois, estamos juntos na distância
Discrepância do destino!


Ziguezagueando zonzo de te procurar
Eu tranco no meu pranto canto alto de euforia
Que eu queria te cantar
Guardo pra mim,
Deixa estar
.

quinta-feira, novembro 19, 2009

Benedito Nunes: olhares sobre o poético

Há quanto tempo não tinha um dia tão ma-ra-vi-lho-so! Hoje foi o dito dia da homenagem ao professor Benedito Nunes que tanto planejamos e esperavamos no mestrado. Além da aula que ele deu ao analisar 2 poemas do Mário Faustino, pude ouvi-lo falar sobre o meu amado Haroldinho, do qual foi um grande amigo. Toda a participação dele no Suplemento da Folha do Norte e de toda a geração dos Novos, das idéias que posteriormente se modificaram quanto ao modernismo e seus poetas, este homem é uma memória histórica viva. A respeito da importância do Haroldo, minha pergunta, quanto esclarecimento! Sempre soube que o papel dele pra formação de leitores aqui em Belém é gigantesca por conta do suplemento, hoje descobri que ele também pode proporcionar os livros que por aí circulam com o sellinho da livraria Dom Quixote, que pertencia ao meu amado (informação do tio Bené que eu não sabia).
Além disso, há quanto tempo não tinha mais esse contato tão gostoso com a poesia: ler, recitar, ouvir. Tudo de bom. Quase enlouqueci com o trabalho e mesmo dando aula de literatura, as frustrações já eram tantas que a leitura dos poemas estava sendo quase automática, só não perdi o amor porque de fato literatura é minha vida, mas estava me sentindo sufocada. Acordava me sentindo obrigada, contava os minutos pra que as aulas acabassem, sem contar que já não tinha mais vida social, porque o tempo livre que tinha era pra elaborar aula, reler leitura obrigatória, fazer na doida os trabalhos do mestrado e dormir, em último plano, pra descansar. Como minha nova situação faz diferença, poder viver pra estudar é tudo.
Qualquer um percebe a mudança gigantesca tão aparente que parece exalar de mim. Talvez a gente de fato reflita a felicidade, porque por incrível que pareça até emagreci, mesmo comendo como uma louca como estou e, é claro, meu humor mudou totalmente. É até engraçado dizer isso, pode parecer tolice, mas nunca estive tão apaixonada por mim e pela minha vida. Bom, deixando isso um pouco pra lá, coloco aqui dois dos poemas que li no sarau e posteriormente publico os outros que discutimos por lá.

Canção

(Cecilia Meireles)

No desequilíbrio dos mares,
as proas giram sozinhas...
Numa das naves que afundaram
é que certamente tu vinhas.

Eu te esperei todos os séculos
sem desespero e sem desgosto,
e morri de infinitas mortes
guardando sempre o mesmo rosto

Quando as ondas te carregaram
meu olhos, entre águas e areias,
cegaram como os das estátuas,
a tudo quanto existe alheias.

Minhas mãos pararam sobre o ar
e endureceram junto ao vento,
e perderam a cor que tinham
e a lembrança do movimento.

E o sorriso que eu te levava
desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva
dentro destas águas sem fim.

Envoi
(Mario Faustino)

Vai, meu canto,
Dizer a que te escute desta dor
Severa como as coisas longevivas
Prometem ser, troféus de heróis do olvido;
Vai dizer-lhes
Da dança que dançamos, rito ardente,
E do barro fiel donde extraímos vida
Mais casta que as idéias passageiras,
ornatos da tormenta...
E dize-lhes do eterno,
Do rubro que inda jaz sobre os mosaicos
Onde o dourado é morto...

Vai, meu canto, Eu te sigo em segredo, por bizarros ouvidos:
Como um rei que mandou seu segrel para a guerra
E o vê partir de longe, do alto das seteiras...

terça-feira, novembro 17, 2009

segunda-feira, novembro 16, 2009

Novos deslizes

Mais uma vez volto a quebrar minhas promessas, se é que tenha tido a intenção de as cumprir algum dia. E depois de tudo, confesso, ainda tenho medo, tenho medo do que não sei, do que posso sentir a cada novo passo. Adoraria controlar tudo, conseguir ser mais fria por dentro do que sou por fora, mas infelizmente o meu desejo anda mais rápido que o meu pensamento. Quando me dou conta já estou nos teus braços e nada mais parece fazer sentido. Acho que isso é tudo, nada faz sentido, talvez por isso seja tão confuso e instigante, por vezes tão claro, mas tão paradoxal.
É sempre assim, firo meu orgulho, me viro do avesso, tudo por uns minutos. Ainda agora posso sentir a fragrância entre as minhas mãos e enquanto escrevo me detesto, me odeio entre sorrisos, me confundo entre os teus beijos. Será que ainda me encontro? Porque se te encontro, como posso me achar? Não me faça dizer o que não quero, não me diga o que eu quero. Antes de mais nada, não se sinta especial. Espere que eu reaja, ou me faça reagir como sempre, não sei. Não sei de mais nada. Eu nunca sei, ou sempre sei e simplesmente não digo. Na verdade, me coloque contra a parede, é assim que eu gosto, eu preciso reagir, mesmo quando fujo e quero ficar. Quer saber? Não faça o que eu digo, me surpreenda.

quinta-feira, novembro 12, 2009

A lecture upon the shadow

Stand still, and I will read to thee
A lecture, love, in love's philosophy.
These three hours that we have spent,
Walking here, two shadows went
Along with us, which we ourselves produc'd.
But, now the sun is just above our head,
We do those shadows tread,
And to brave clearness all things are reduc'd.
So whilst our infant loves did grow,
Disguises did, and shadows, flow
From us, and our cares; but now 'tis not so.
That love has not attain'd the high'st degree,
Which is still diligent lest others see.

Except our loves at this noon stay,
We shall new shadows make the other way.
As the first were made to blind
Others, these which come behind
Will work upon ourselves, and blind our eyes.
If our loves faint, and westwardly decline,
To me thou, falsely, thine,
And I to thee mine actions shall disguise.
The morning shadows wear away,
But these grow longer all the day;
But oh, love's day is short, if love decay.
Love is a growing, or full constant light,
And his first minute, after noon, is night.


John Donne

O poema é tão lindo que não resisti e resolvi publicar depois de lido e analisado numa aula de estudos do poema no mestrado. Aqui, coloco também uma possível tradução/interpretação, não muito boa, mas tradução feita porAila de Oliveira Gomes:

Preleção sobre a sombra

Espera, que uma preleção eu vou te ler,

Amor, sobre o amor e sua filosofia.

Nessas três horas de nosso lazer,

Aqui vagando, um par nos precedia.

De sombras, que eram por nós mesmos projetadas;

Ora o sol está a pino sobre nós, tu vês,

E nossas sombras, sob nossos pés;

E tudo se reduz à brava claridade.

Assim, ao que nosso amor infante crescia,

Nossas sombras, o nosso disfarce, sumiam

De nós e nossos medos; mas avança o dia.

Nenhum amor atinge o seu mais alto grau

Enquanto a vista alheia teme, como um mal.


A menos que o amor no zênite haja parado,

Produziremos novas sombras do outro lado.

Se as primeiras servem a nos ocultar,

Aos outros cegando; estas, a atuar

Atrás de nós, é qual a nós mesmos cegar.

Se nosso amor definha e declina no poente.

Tu a mim e eu a ti, falsamente,

Nossas ações deixamos que se disfarcem

Entre nós. As sombras da manhã se desfazem;

Estas crescem sempre mais, todavia,

Pois, ai! se o amor se esvai, curto é o seu dia.

O amor é uma luz sempre crescente e constante;

Seu primeiro minuto após meio-dia é noite.


sábado, novembro 07, 2009

sexta-feira, novembro 06, 2009

Até quando?

Afastei da memória tua imagem, pra não te sorver assim,
a goles, intragáveis, indeléveis,
falha tentativa.
Perdi a lucidez, dei voltas, mas resisti,
sôfrega, obriguei-me a mim.
De volta à tranquilidade da minha imagem só
advinhaste-me
e em fuga, tremi pra escapar de teu corpo
substância inócua, iníqua, forma desagregada de mim.
Pontilhada de chagas, bebi tuas palavras obtusas,
Carregadas de desejos cintilantes como eu.
Não disse não, saí pela tangente.
Se soubesses como foi difícil!
Sinto-me invadida, escapo em transes temporários,
espero resistir e tua lembrança me violenta.
Até quando?

domingo, novembro 01, 2009

A transladação do corpo


Eu amava o amor

e esperava-o sob árvores,
virgem entre lírios. Não prevariquei.
Hoje percebo em que fogueira equívoca
padeci meus tormentos.
(...)

Adélia Prado

sexta-feira, outubro 09, 2009

Aprendendo a desaprender

Procuro despir-me do que aprendi

Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,

E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,

Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,

Desembrulhar-me e ser eu...


Alberto Caeiro

quarta-feira, outubro 07, 2009

Deslizes

“Que mitos, meu amor, entre os lençóis:

O que tu pensas gozo é tão finito” (Hilda Hist)


Querias-me novamente corpo em tua cama?

Imaginavas-me novamente tua, nua, submissa?

Dispenso as veleidades

É sombra, é sol, até foi muito, hoje é nada.

Reviver tuas palavras oblíquas e obscenas,

Puro desperdício

Labirinto pavoroso-prazeiroso e passageiro

És incapaz de conter tão vasto querer.


Tudo tão passado, tudo que fomos,

Duas almas nômades em um corpo entrelaçado

Tão perdidas, tão ligadas, intrusas em nós dois.

Toma de novo minha boca, bebe o que sobrou,

O que se perdeu e insiste em encontrar

É puro costume, mais nada.