terça-feira, janeiro 31, 2012

Segredo infalível para emagrecer: qualquer lembrança ou contato com ele e a fome se vai como num passe de mágica, o problema é conseguir lidar com essa ânsia de vômito depois.

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Peço perdão, novamente...

“Perdoa por eu ter te escolhido para ser pra sempre a minha companhia,

perdoa por eu ter acreditado neste sonho todo dia,

perdoa por eu ter te perdoado na hora que devia ter te esquecido,

perdoa por eu ter me preparado e me guardado pra você...”

terça-feira, janeiro 10, 2012

"A mulher mais bonita da noite", "a bela da festa", como conseguem achar isso? Como as pessoas conseguem ver alguma beleza? Como alguém pode ser tão bela por fora, se está destruída por dentro? Talvez as pessoas mintam mais do que eu.

terça-feira, janeiro 03, 2012

E esta história de cuidar de mim que não me sai da cabeça... Eu não sei o que isso significa. Não nasci com manual de instruções, então, fica difícil saber como, não sei nem por onde começar. Quero retomar a minha vida ou o que sobrou dela, o que ele deixou dela, mas não restaram pedaços suficientes pra me remontar, perdi tanto pelo caminho. Fui deixando os pedaços sem saber que poderia precisar deles depois.
Cuidar de mim, cuidar de mim, cuidar de mim... Ai, o que isso quer dizer? Depois de todo esse tempo só vejo lágrimas, cansei disso, cansei de ser incapaz de fazer coisas tão simples, cansei de sentir medo de tudo, cansei de estar cansada. Ah, melhor deixar isso pra lá.

sábado, dezembro 31, 2011

Sei que foi o melhor a ser feito, tive que deixá-lo. Não era esse o plano, mas afinal, pra onde foram nossos planos? Deve valer alguma coisa pro meu orgulho saber que eu desisti, antes que ele desistisse de mim. Só não sei por onde anda o meu orgulho ultimamente. Acho que vou fazer o que ela me disse, ela estudou pra isso, então tá na hora de cuidar de mim, só falta descobrir como, nunca fiz isso na vida. Tá na hora de me preocupar menos com os outros e olhar pra mais mim... Só acho que tenho medo do que vou encontrar.

quinta-feira, dezembro 08, 2011

Sabe o que acontece ? É que quando você entende o verdadeiro valor do amor, vocêpercebe que não vale a pena sair desperdiçando com qualquer pessoa. Ser solteira deixa de ser uma opção, vira a única saída. Ficar se gastando com quem é pequeno é tão cansativo. E ter que ficar ensinando o que é amor, respeito, cumplicidade... Quero aprender, pra variar um pouco. Ser a pessoa que erra, não a que perdoa, sabe ? Pelo menos por um momento. Quero um colo, um conselho, um amor-amigo. Não quero ser mãe de ninguém, nem namorada-e-só. Quero contar o meu dia, falar do meu passado e do meu futuro sem ter que me policiar, sem receios. Quero olhar nos olhos e me sentir compreendida, sem precisar ficar me explicando sempre. Ás vezes me sinto uma criança brincando de ser adulta. Eu quero ser a criança brincando de ser criança. Não conseguir o que eu quero e chorar, ficar perguntando o porque das coisas. Quero isso, alguém que me deixe ser pequena, sem nunca esquecer o quanto eu sou grande. Não sou professora de sentimentos, UTI de corações partidos, dona da verdade. Sou só a criança, percebe ? Só a criança.
Marcella Fernanda

sábado, outubro 08, 2011


À beira do abismo... Eu posso tentar dar alguns passos pra trás, mas há tempos estou sendo pressionada por todos os lados. Eu não sei se ele vai comigo, sei que está lá e já não quer mais segurar minhas mãos, embora eu tenha insistido cansativamente pra isso, sem desconfiar que o empurrava com mais força do que ele poderia suportar. Olho por todos os lados, choro, sofro, grito, meus pedidos de socorro desesperados parecem ser vãos, agora eu sei a atitude certa a tomar, só não sei se ainda é possível, à essa altura só tenho vertigens, sensações confusas e ele gritando para largá-lo.
Se eu soubesse antes o que sei agora, poderia ter acertado ou ao menos preservado, mas eu tenho tanto medo de altura, não quis arriscar, preferi me agarrar a ele e eu ando tão pesada ultimamente.
Desde já, posso ver o estrago que isso vai causar e posso ver também que não é tão insuportável quanto me parece, às vezes. O que eu não posso aceitar é saber que sou capaz de minimizar a queda e estou inutilizada, todas as outras quedas não criaram apenas cicatrizes, trouxeram-me pequenas asas imperfeitas, muito úteis se conseguir abri-las e, aliás, minhas asas débeis começaram a se abrir.
Olho pro lado e ele ainda está lá, dando pequenos passos desengonçados, tentando continuar jogando fora todos os pesos inúteis, sobretudo, agora que não sou mais um peso, parece mais fácil. Será? Acho que assim como eu, um dia, ele vai perceber que consegue continuar só, se quiser, mas dividir o peso é menos custoso, ter alguém ao lado pra compartilhar é menos doloroso e, mesmo que venhamos a cair, o impacto é menos agressivo. Depois de levantar, é a hora de fazer os curativos, olhar pro alto e se preparar para uma nova subida e, novamente, é mais fácil ter alguém ao lado pra dividir as ataduras, medir as cicatrizes e se preparar para a nova escalada.
É triste ver meus erros se repetirem em outras pessoas e ele é irritamente parecido comigo. No final, a escolha é dele, tudo que posso fazer é esperar, a queda é inevitável, é assim que aprendemos. Sim, vamos cair, basta saber se chegaremos juntos.

sábado, setembro 17, 2011

É mágoa

Ana Carolina
É mágoa
Já vou dizendo de antemão
Se eu encontrar com você
Tô com três pedras na mão
Eu só queria distância da nossa distância
Saí por aí procurando uma contramão

Acabei chegando na sua rua
Na dúvida qual era a sua janela
Lembrei que era pra cada um ficar na sua
Mas é que até a minha solidão tava na dela

Atirei uma pedra na sua janela
E logo correndo me arrependi
Foi o medo de te acertar
Mas era pra te acertar
E disso eu quase me esqueci

Atirei outra pedra na sua janela
Uma que não fez o menor ruído
Não quebrou, não rachou, não deu em nada
E eu pensei: talvez você tenha me esquecido

Eu só não consegui foi te acertar o coração
Porque eu já era o alvo
De tanto que eu tinha sofrido
Aí nem precisava mais de pedra
Minha raiva quase transpassa
A espessura do seu vidro

É mágoa
O que eu choro é água com sal
Se der um vento é maremoto
Se eu for embora não sou mais eu
Água de torneira não volta
E eu vou embora
Adeus

quinta-feira, agosto 18, 2011

Tolices de aniversario


E esse mal estar no dia do meu aniversário? Aniversário deveria ser uma coisa que a gente comemora, fica feliz com as pessoas que ama por perto, por todas as dádivas de mais um ano de vida, principalmente a dádiva de estar viva e não é que eu não esteja feliz por isso ou reclame de alguma forma, mas é que não sei se chegar a idade que cheguei desse jeito era o que queria, talvez em parte sim.
Talvez em parte.
Fiz muito do que queria, cheguei onde planejei, na medida do possível, no que não alcancei, não foi por falta de vontade ou de tentativa. Por vezes incontáveis, mudei os planos, consegui até o que não queria ou o que não esperava... Aconteceram tantas coisas. Isso não é o tipo de chatice que a gente diz por estar mais velho, até porque, ao contrário da maioria, nunca tive pressa de envelhecer, de chegar a maior idade pra poder fazer coisas que não podia antes, sempre fui bem devagar. Mas é por essa quase lerdeza que tinha um certo medo de envelhecer, nunca me imaginava com mais de vinte, parecia assustador, velha demais pra uma menininha infantil como eu e agora que passei um pouquinho disso, nunca tive tanta certeza de que cheguei bem, fiz as escolhas certas que me dão a tranquilidade de dizer algo do tipo "não me arrependo de nada do que eu fiz", embora isso soe mais como orgulho que outra coisa.
Se eu tentar avaliar, tenho um saldo bem positivo de tudo, mas é claro, sempre tem aquilo que poderia ter acontecido e mudado toda a trajetória, pra melhor ou pra pior e não tem como não pensar nisso. É de enlouquecer!
No final das contas, o mínimo que eu esperava hoje era estar bem, bem no sentido de estar feliz, realizada, tranquila, completamente nas nuvens e isso é possível, mesmo que por pequenos momentos. O problema é que faz tanto tempo que não acontece nada parecido. Na verdade, acho que um dos maiores problemas de envelhecer é esse, quase nada surpreende, tudo vai ficando igual ou simplesmente previsível e como boa procrastinadora, vou deixando tudo pra depois, tudo vai continuar como antes ou ao menos do jeito que eu espero que fique mesmo, pra que pressa? Devagar também se chega!
Ajudaria um pouco mais de estímulo, novidades boas, de preferência, a mesmice incomoda, gera pessimismo e talvez até esse mal estar chato. Sei que nem tudo é só notícia boa, mas tá bom de uma trégua, quero folga, quero carinho, é pedir demais? Seria até um bom presente de aniversário. É bom deixar as águas correrem, vamos ver no que quer dá.

quinta-feira, março 03, 2011

Me deixe mudo

Oswaldo Montenegro

Me deixe mudo
Não diga nada
Saiba de tudo
Fique calada
Me deixe mudo

Seja num canto
Seja num centro
Fique por fora
Fique por dentro

Seja o avesso
Seja a metade
Se for começo

Fique à vontade
Não me pergunte
Não me responda
Não me procure
E não se esconda

domingo, dezembro 05, 2010

Já escondi um amor com medo de perdê-lo, já perdi um amor por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto. Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre.
(Clarice Lispector)

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Frustrações


Nunca esperei compreensão do mundo, sei o quanto os seres humanos são complicados e cheguei a conclusão de que é perda de tempo tentar agradar a todos, tentar ser reconhecida ou algo do tipo, mas sempre imaginei que seria compreendida um dia, ao menos pela pessoa que amo. Sou muito transparente, cada vez mais sou pior em atuar, talvez porque eu tenha cansado de mentir, ou melhor, de fingir. Não vou mais fazer de conta, se estou bem, quero que todos percebam como estou feliz, se estou mal, não preciso da pena de ninguém, mas também não preciso fazer de conta que não tá acontecendo nada e continuar sorrindo, cansei das máscaras. Agora tudo o que eu quero é ficar bem e faz parte disso um pouco de reclusão. Isso não é ser chata, é só cansaço. Estou cansada de ter todos os olhos voltados pra mim, quando tudo o que eu quero é sumir, passar sem ter que dizer que tá tudo bem ao ser cumprimentada. Aliás, essa é uma das coisas que mais me intrigam, tudo bem, tudo bem, basta dizer oi, até mais, por que tenho que dizer que tá tudo bem se nem sempre é assim?
Hoje era uma das noites em que eu precisava de um pouco de tranquilidade, faria bem um pouco de silêncio, um pouco de carinho, não queria só ficar em casa, mas o Vadião também não era a solução dos meus problemas. Pensei que isso havia sido percebido, pelo jeito não, às vezes é preciso mais que gestos, mais que deixar subtendido, será que precisava gritar? É demais querer colo?
Estamos todos sob pressão, os últimos acontecimentos, todas as obrigações inadiáveis do dia-a-dia, somados ao final de ano é isso mesmo, totalmente compreensível, daí achar que lugar cheio, música alta e da pior qualidade, diga-se de passagem, cheiro de álcool e cigarro iriam animar minha noite é demais. Deveria ter fugido, corrido pra casa, ter me enrolado no meu cobertor, agarrado meu urso de pelúcia... umas horas olhando pro teto pensando nas consequências das minhas loucuras não teriam me entediado tanto no final das contas.
Sei que a vida não é o que se quer que seja o tempo todo, menos ainda as pessoas, por isso mesmo sei que não posso ter todos os meus desejos atendidos, bastava dizer que naquele momento não seria possível atendê-los. Amo meu tempo livre, meu espaço, logo, vou respeitar o tempo livre do outro, o espaço do outro, mesmo que isso signifique ficar em segundo plano às vezes, relacionamento também é negociação, é saber ceder. Por enquanto, preciso me revestir de paciência e entendê-lo mesmo que eu não seja entendida, é o preço a se pagar, não escolhi me apaixonar, mas resolvi que poderia lidar com isso, então talvez este não seja o momento de desdenhar a dádiva de ter alguém pra amar, afinal, não era isso que eu tanto queria?

quinta-feira, novembro 11, 2010

Rascunho de algo pra o meu menino

Te amar é parte de mim. Passou a ser no dia em que entrei naquele ônibus e nossos olhares começaram a se encontrar. Foi tudo tão rápido e tão perfeito que na segunda de manhã entre substantivos e verbos, sujeitos e predicados, tentei me convencer de que era apenas um sonho pra não me perder entre palavras. Desde então, te amar passou a fazer parte do meu sorriso, do meu olhar, da minha vida, tudo em mim passou a ser um pouco teu. Os meus dias mais felizes são mais completos porque estás do meu lado, os mais tristes são mais fáceis porque os passo entre os teus braços.
É em ti que me reconheço, me reencontro, me refaço e me amplio, me exploro, me descubro. As marcas profundas que deixaste gritam a qualquer desavisado que parte de mim te pertence, que agora sou porque me encontrei em ti.

sábado, outubro 30, 2010

"Tarde demais o conheci, por fim; cedo demais, sem conhecê-lo, amei-o." (William Shakespeare)

"O verdadeiro nome do amor é cativeiro." (William Shakespeare)

quarta-feira, outubro 06, 2010

Metade


Oswaldo Montenegro

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

terça-feira, setembro 14, 2010

segunda-feira, agosto 30, 2010

Meu tímido luto


Perder alguém é sempre algo muito triste. O que dizer num momento desses? Tivemos tão poucos momentos juntos, esses poucos tão perfeitos, uma única semana. Lembro bem, agosto de 2006, eu tava no terceiro ano da graduação, mil planos na cabeça, muitas das experiências mais loucas já realizadas (ENEL, o que mais posso dizer?), quando re-conheci aquele senhorzinho que me acolheu tão bem em sua casa, porque eu não conseguia suportar o frio de Brasília alojada numa sala de aula da UnB. Ele prontamente me acolheu, foi meu guia e, aos poucos, meu melhor amigo naquele lugar.
Tudo o que eu sabia até então é que ele era irmão do meu avô, alguém de quem minha avó falava muito bem, só um parente distante, depois percebi que ele tinha a voz parecida com a do vovô, uns costumes muito parecidos com os do papai, mas bem mais refinado que os dois juntos. Lia tanto... Nos identificamos de imediato, quantas conversas! Aquele jeito de tentar me convencer que queria ter a paixão por poesia que eu tinha, que queria saber ler como eu, quem me dera ter tanto conhecimento. Nunca vou esquecer, foi a primeira vez que não me senti uma alienígena na minha família. Isso mesmo, sempre fui a diferente, com opiniões e comportamentos estranhos e quando tinha me acostumado a isso, conheci alguém tão parecido comigo na liberdade de pensamento. E as provocações? Ele não conseguia entender como eu conseguia ser evangélica com a cabeça que tenho (como muitos outros, aliás), eu e meus pensamentos loucos.

Lembro que depois de um porre ridículo no ônibus, ele queria outro, mas de rum com sorvete, pode? Queria que eu começasse a falar a verdade, que verdade? Existe verdade? Ele riu. Nos confidenciamos, rimos, choramos, é, choramos algumas vezes, a última, timidamente na partida, tiramos fotos que nunca foram reveladas, trocamos e-mails curtos, esparsos, nunca mais. Eu queria revê-lo. Ele viria a Belém, foi o que disse ano passado. Eu iria a Brasília, começo do ano que vem, estava nos planos. Até que por esses dias chegou a notícia, internado, coma, falecimento.
Hoje não derramei nenhuma lágrima, mas o coração tá tão apertado, tão dolorido. Com aqueles pensamentos que batem sempre, de como poderia ter feito mais coisas, ter dito mais coisas, não deu tempo, não me esforçei talvez, cada um seguiu a sua vida distante. Inevitável. E agora? Só posso lamentar a perda, lamentar a distância, guardar as doces lembranças com saudade. Faltava tão pouco e só Deus sabe porque esses poucos meses deveriam nos separar. Eu só sei que dói, apenas uma semana e todo esse estrago. Depois de 4 anos não pude esquecê-lo, é como se tivemos nos despedido ontem, sem saber que nunca mais nos veriamos, dissemos um tímido tchau, certos de nos reencontrar, mesmo que depois de muito tempo. Ele garantiu que dificilmente viria a Belém, mas eu garanti que certamente voltaria a Brasilia. E vou voltar, mas infelizmente, não vou mais vê-lo.
Por favor, não me analise
Não fique procurando
cada ponto fraco meu
Se ninguém resiste a uma análise
profunda, quanto mais eu!
Ciumenta, exigente, insegura, carente
toda cheia de marcas que a vida deixou:
Veja em cada exigência
um grito de carência,
um pedido de amor!

Amor, amor é síntese,
uma integração de dados:
não há que tirar nem pôr.
Não me corte em fatias,
(ninguém abraça um pedaço),
me envolva toda em seus braços
E eu serei perfeita, amor!
(Mirthes Martins)

domingo, agosto 29, 2010

Eu triste sou calada
Eu brava sou estúpida
Eu lúcida sou chata
Eu gata sou esperta
Eu cega sou vidente
Eu carente sou insana
Eu malandra sou fresca
Eu seca sou vazia
Eu fria sou distante
Eu quente sou oleosa
Eu prosa sou tantas
Eu santa sou gelada
Eu salgada sou crua
Eu pura sou tentada
Eu sentada sou alta
Eu jovem sou donzela
Eu bela sou fútil
Eu útil sou boa
Eu à toa sou tua.
(Martha Medeiros)

quinta-feira, agosto 26, 2010

Aceitarás o amor como eu o encaro ?...

(Mário de Andrade)

Aceitarás o amor como eu o encaro ?...
...Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.

Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente,
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.

Não exijas mais nada. Não desejo
Também mais nada, só te olhar, enquanto
A realidade é simples, e isto apenas.

Que grandeza... a evasão total do pejo
Que nasce das imperfeições. O encanto
Que nasce das adorações serenas.