Há quanto tempo não tinha um dia tão ma-ra-vi-lho-so! Hoje foi o dito dia da homenagem ao professor Benedito Nunes que tanto planejamos e esperavamos no mestrado. Além da aula que ele deu ao analisar 2 poemas do Mário Faustino, pude ouvi-lo falar sobre o meu amado Haroldinho, do qual foi um grande amigo. Toda a participação dele no Suplemento da Folha do Norte e de toda a geração dos Novos, das idéias que posteriormente se modificaram quanto ao modernismo e seus poetas, este homem é uma memória histórica viva. A respeito da importância do Haroldo, minha pergunta, quanto esclarecimento! Sempre soube que o papel dele pra formação de leitores aqui em Belém é gigantesca por conta do suplemento, hoje descobri que ele também pode proporcionar os livros que por aí circulam com o sellinho da livraria Dom Quixote, que pertencia ao meu amado (informação do tio Bené que eu não sabia).Qualquer um percebe a mudança gigantesca tão aparente que parece exalar de mim. Talvez a gente de fato reflita a felicidade, porque por incrível que pareça até emagreci, mesmo comendo como uma louca como estou e, é claro, meu humor mudou totalmente. É até engraçado dizer isso, pode parecer tolice, mas nunca estive tão apaixonada por mim e pela minha vida. Bom, deixando isso um pouco pra lá, coloco aqui dois dos poemas que li no sarau e posteriormente publico os outros que discutimos por lá.
Canção
No desequilíbrio dos mares,
as proas giram sozinhas...
Numa das naves que afundaram
é que certamente tu vinhas.
Eu te esperei todos os séculos
sem desespero e sem desgosto,
e morri de infinitas mortes
guardando sempre o mesmo rosto
Quando as ondas te carregaram
meu olhos, entre águas e areias,
cegaram como os das estátuas,
a tudo quanto existe alheias.
Minhas mãos pararam sobre o ar
e endureceram junto ao vento,
e perderam a cor que tinham
e a lembrança do movimento.
E o sorriso que eu te levava
desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva
dentro destas águas sem fim.
Envoi
(Mario Faustino)
Vai, meu canto,
Dizer a que te escute desta dor
Severa como as coisas longevivas
Prometem ser, troféus de heróis do olvido;
Vai dizer-lhes
Da dança que dançamos, rito ardente,
E do barro fiel donde extraímos vida
Mais casta que as idéias passageiras,
ornatos da tormenta...
E dize-lhes do eterno,
Do rubro que inda jaz sobre os mosaicos
Onde o dourado é morto...
Vai, meu canto, Eu te sigo em segredo, por bizarros ouvidos:
Como um rei que mandou seu segrel para a guerra
E o vê partir de longe, do alto das seteiras...





