sábado, dezembro 08, 2012

E de repente me deu uma vontade estranha de viver...

Vou começar a escrever alguns posts pra marcar esta nova fase louca, porque, de fato, me deu uma estranha vontade de viver. Dia desses, assisti a um programa do Discovery, no qual a moça em tratamento dependia de antidepressivo, como eu - ou melhor, até menos do que eu, porque como minha psiquiatra diz, tomo 2 em dose cavalar - e tão cansada quanto, desistiu de tomar porque queria viver. Diferente de mim, a tal moça percebeu de imediato que essa medicação nos provoca mais do que os efeitos esperados, paradoxalmente, ela nos deixa sob controle, com isso, quero dizer, equilibrar ou mais, regular mesmo. É mais louco do que parece. De qualquer forma, resolvi desistir dos remédios também. 
É muito chato viver mecanicamente com poucos choros e parcos risos, ver tudo tão racionalmente normal. Era realmente muito chato. Pior ainda é ser como sou, infinitamente querendo entender tudo. Por quê? É uma das minhas perguntas preferidas e isso me deixava mais inquieta. Dá pra entender, inquietação sem choro nem riso, sem qualquer reação física ou empenho em tentativa de descoberta? Não é por acaso que tava enlouquecendo. Não entendia tanta frieza, tanta incapacidade em mim de sentir algo há tempos e entendi o motivo de algumas das loucuras que fiz no desespero de me sentir viva. 
É muito claro pra mim que não estava tentando me matar quando cortei o pulso, pois o fato de querer ver meu sangue correr foi uma tentativa de ver alguma vida dentro de mim, mesmo que aparentemente se esvaindo. Na verdade, nem sei como explicar direito, talvez precisasse de um PhD em Psicanálise (se é que isso existe) pra tentar entender tantos atos completamente fora de controle e aparentemente tão pensados e calculados e, ainda assim, tenho quase certeza de que não chegaria a nenhuma conclusão. A única conclusão temporária que tenho disso tudo é que por mais complicado que seja, é melhor viver com intensidade de dor e prazer. É legal chorar, se sentir sensível, à flor da pele. É bom ter noites de insônia, me permite colocar algumas leituras em dia, ouvir músicas novas, experimentar em meu eterno laboratório, o meu quarto. Assim, não perco os limites, se nunca os perdi antes, por que os perderia agora? Não há só vantagens, óbvio. As lembranças recalcadas insistem em vir à tona, mas não é de todo ruim também, me impõe mais limites que antes, sem me tirar as forças, a vontade de reexperimetar a vida. Claro que não é nada legal ter de controlar vontades incontroláveis, dói, mas a dor faz parte da vida. Posso conviver comigo e com meu pessimismo tão característico sem me destruir. Eu precisava me livrar da dor que me derrubou, por isso procurei ajuda, aceitei tantas medicações pesadas, mas tá bom, foi tempo mais que suficiente. 
Tá na hora de inaugurar uma nova fase ao meu modo e já tomei algumas decisões: amanhã mesmo vou cortar os cabelos, aproveitar a moda dos curtíssimos e deixar as madeixas mais curtas ainda, além disso, tinha me prometido que até o final do ano resolveria quanto a fazer ou não uma tatuagem, ô duvidazinha cruel e, por anos, tão perseguidora! Cansei de brincar de tatoo de hena e desde o ano passado tô numa onda de, enfim, colocar uma definitiva, então, cheguei a uma resultado, como imaginava, tenho idade suficiente pra ter certeza do que quero e tatuagem é mais do que definitiva, é, sobretudo, significativa. 
Bom, infelizmente, não vou poder me dar este tão esperado presente de natal, então, resolvi colocar um piercing Monroe. Sempre achei legal, mas como já tenho um de nariz, três brincos na orelha, além de um de cartilagem, achava que ficaria exagerado. Daí, num final de semanas desses, assisti a um especial da Amy Winehouse (algo catártico, aliás, digno de ser comentado em outro post) e vi que ela usava exatamente o piercing  que quero acrescentar junto com o de nariz. Claro que, antes de destruída, os dois ficavam lindos no rosto dela, mas será que combinam com o meu? Não sei, só vou saber colocando, então, assim que descobrir respondo.      

sexta-feira, dezembro 07, 2012

Lendo uma revista tola pra me entreter no consultório antes da terapia, me encantei com este quarteto. Depois de horas de espera, foram os melhores segundos do último ano e meio entre aquelas quatro paredes.   

"Trago as chaves mais lúcidas do sonho
para te abrir caminhos inefáveis
e em trilhas só de pássaros sabidas
contigo andar nos mares e nas montanhas".
(Odylo Costa, "Soneto de Romaria", Cantiga incompleta)


quarta-feira, dezembro 05, 2012


É, eu confesso que não é exatamente a realidade que eu esperava encontrar. Talvez isso mude. Talvez você pule esses três ou quatro muros que nos separam e segure a minha mão, assim, ofegante, pra nunca mais soltar. Talvez você ainda possa pular no rio e me salvar. Ou talvez eu só precise de férias, um porre e um novo amor. Porque no fundo eu sei que a realidade que eu sonhava afundou num copo de cachaça e virou utopia.


Caio Fernando Abreu

Tipo um baião


Não sei para que outra de história de amor a essa hora,
porém você diz que está tipo a fim de se jogar
de cara num romance assim,
tipo para a vida inteira.
E agora, eu não sei agora porquê não sei,
porque somente você não sei porquê,
somente agora você vem,
você vem pra enfeitar minha vida.
Diz que será tipo festa sem fim,
É São João, vejo tremeluzir seu vestido através da fogueira.
É carnaval e o seu vulto a sumir entre mil abadás na ladeira.

Não sei para que fui cantar para você a essa hora,
logo você que ignora o baião,
porém você tipo me adora mesmo assim
meio mané, por fora.
E agora eu não sei agora porquê,
não sei porque somente você,
não sei porque somente agora você vem.
Vem para embaralhar os meus dias
e ainda tem, em saraus, ao luar, meu coração,
que você sem pensar ora brinca em inflar,
ora esmaga igual, que nem fole de acordeão,
tipo assim num baião do Gonzaga.

Chico magnífico, como sempre. Música encantadoramente doce. Adorei!

Quase amores

Quase amores não existem. E não existem mesmo. Mas existem. Tudo bem, você pode desconfiar de um quase corno. Mas, provavelmente, nunca apertou a mão de um semi-gay. Ligeiramente grávidas são um desafio para a ciência. De meio amigos também não há registros, porém para encontrar mui amigos, chute uma lata e surgirão como ratos. Mas quase amor existe.
Quase amor é aquele ensejo de romance que surgiu com sabor de sorvete de baunilha. Você foi dar uma colherada com gosto e SPLASH! Ao levar o prazer até a boca, o doce escorreu e espatifou, melecando sua calça jeans. Todo mundo passa por isso, quer queira, quer não. Histórias de quase amor não lotam pré-estreias em Los Angeles, mas na vida sem bilheterias goleiam impiedosamente os contos de amor concreto.

Um amor que não passa do primeiro beijo porque o cara é noivo, é um quase amor. Um romance que não chegou no sexo, pois uma das partes embarcou com urgência para Londres sem aviso prévio, é quase amor também. Visualiza a cena: você gosta de uma garota comprometida e pede a ela que não suba no ônibus. Ou será o fim. Ela titubeia, faz bem-me-quer, mas segura o corrimão, ergue o pé direito e te olha com beiço de despedida. Pronto, outro quase amor saindo quentinho. Uns duram cinco anos, outros cinco meses. Raros, cinco dias. Contudo – de fato e amargamente – quase amores se dão como formigas em pote de mel. 
E se engana quem pensa que os quase amores são aqueles impossíveis ou proibidos, do tipo Janet Dailey. Amores por um triz têm motivos circunstanciais. Amor que é proibido, mas os dois se correspondem, já é amor completo, mesmo que imperfeito. Quase amor é quando um dos lados se doa pela metade, quando tanto. Aí é pretérito. Bem mais que imperfeito.
Por isso quase amores existem e não existem. Talvez não tivera beijo, ou não houve sexo, quiçá um abraço de urso. Quase amores são cheios da falta de café na cama, juras de amor eterno, cena de ciúme, mordida no queixo, lutinha no carpete, banho de espuma, briga na casa da sogra, despedida em rodoviária, confusão de chinelos, chimarrão no meio-fio, troca de alianças, beijo na testa, orgasmo com choro e velhice compartilhada.
Quase amor é um lugar estranho e ao mesmo tempo familiar. Aconchegante e inóspito. Enérgico e gélido. É como quando você tem um déjà vu ao entrar numa rua ladrilhada dessas de cidade histórica. Um lugar aonde você jamais esteve, porém consulta sua memória rígida buscando reconhecer árvores, calçadas e telhados. Uma saudade abstrata pressiona o peito. E quase dói.
***

Texto do livro novo do Gabito Nunes "Sempre Chove no Meu Carnaval”. Este texto foi tirado de um blog chamado “Amar-te-ei até o tédio”. É o tipo de leitura divertida e interessante, adoro e recomendo.


50 kg, agora ninguém pode me chamar de anoréxica, mas, meninos, gorda também é avacalhação. Vivo da minha inteligência, não do meu corpo, tá? Deixem minha barriguinha em paz.

Loucamente normal

E depois de tanto tempo, depois que ele desistiu de me procurar, eu acho, surgem as fagulhas. Ele diz que se aquietou, eu até poderia acreditar se fosse outra pessoa, mas ele? Mas o que mais me surpreendeu fui eu mesma, desde quando ele voltou a ser opção? Foram tantos altos e baixos no decorrer destes anos que sei lá, nem sei o que me deu ou o que deu nele. Será que ainda rola alguma coisa? Espero que não, ou sim, não sei. Como sempre, ele faz a minha cabeça dar voltas apesar de toda aquela simplicidade e hoje senti o drama. Antes ele me comia com os olhos, não mudou muito, embora ele esteja bem mais centrado. É legal ver como alguém que eu pensava que nunca ia mudar, mudou tanto, isso é fato, talvez possa passar a considerá-lo como amigo.
Sei que só chamo de amigo àqueles que são capazes de me entender, ou quase porque isso é impossível, mas já tá chegando perto. Ele passa bem longe de entender o que eu digo, a maioria das vezes, o que tanto faz, o importante é que ele sempre está disposto a ouvir e, às vezes, tudo o que se precisa é ser ouvida. Além disso, dou boas risadas com aquela tentativa de auto-ajuda frustrante, não digo mais sem noção porque ele construiu um certo carinho em mim.
Não esperava mais por isso, foram tantas as decepções. Aliás, parte da escolha do meu ex se deveu a frustrante passagem dele pela minha vida. Confesso que num primeiro momento era tentador olhar pra trás, depois nem fazia falta e agora, sei lá porquê ouvir aquela voz fez tão bem. Este papo de que sou uma mulher bonita, atraente, inteligente... ah, tô cansada, sei o que é ser gentil com os outros, meus ex me ensinaram a ser delicada e agradável pra dar fora (o que foi fundamental pra corrigir tantas redações ruins e conseguir, ainda assim, ser querida pela maioria). A gentileza faz parte de mim, mesmo quando eu não quero, por incrível que pareça.
E falando em elogios, é incrível como depois de tudo ainda sou tão elogiada. Perdi as contas de quantas vezes ouvi o adjetivo linda ontem, claro que rolaram alguns bem vulgares também, mas no geral, foi tão bom. Não acho que esteja na minha melhor fase e conseguir chamar atenção mesmo assim é uma dádiva. É muito bom ainda ser confundida com aluna, ver as pessoas me julgarem muito mais nova... Me aproximar dos 30 com jeitinho de adolescente é uma benção. Tive tantas fases complicadas quando mais nova e se puder comparar, certamente estou muito melhor, me acho mais bonita, embora as marcas de todas as loucuras de antes continuem. Fora isso, tá tudo bem tranquilo. 
Não tenho essas loucuras de se pudesse voltar atrás..., isso é pura tolice, não mudaria nada na minha vida, nem mesmo o que eu fiz de supostamente errado, na verdade, não gostaria de ter passado por muitas das coisas que passei, mas só hoje posso ver isso, tudo o que fiz era o que queria no momento, mesmo sabendo que tava errado. O problema é a prepotência de achar que sempre se é capaz de lidar com as consequências, quem me dera, a pior parte é aguentar tudo, não é fácil acordar assustada ou chorando à noite e isso quando consigo ter uma noite de sono à base de calmante, é complicado me desdobrar no trabalho e em todos os outros lugares que frequento e ter que sair de fininho quando sou convidada pra sair, ou mesmo só, não assistir filmes ou ouvir algumas músicas que amo por medo de trazer à tona tantos traumas recalcados, assim, na melhor das hipóteses, o jeito é ir levando.
É óbvio, tem muitas coisas boas acontecendo, não dá pra virar as costas pra tanto, também é muita ingratidão reclamar, eu sei, mas eu é que sei o que é esconder as lágrimas, sou profissional nisso. As pessoas veem tanta beleza por fora, são tantos olhares de desejo de todos os lugares à minha volta, pena que só conseguem ver o exterior. Por dentro... Que desastre!
Meus cabelos estão mais lindos do que nunca, sem falsa modéstia, claro, nada de manchas na pele, meu rosto está bem mais corado, ganhei peso suficiente pra dizer que estou saudável, externamente, a única marca visível é a do meu pulso esquerdo, fácil de esconder, aliás; internamente, a situação é indescritível. Sobretudo agora que resolvi interromper meu tratamento, é uma enxaqueca desgraçada, mudanças súbitas de humor e tantas outras porcarias, mas graças a Deus, nada que me fizesse perder completamente o controle. Vou provar pra psiquiatra que não sou tão louca quanto pareço.
Ela ficou com raiva porque me neguei a tomar antipsicótico (só se for pra eu enlouquecer de vez), quando souber que parei de tomar tudo vai ser um caos. Mas também, quando a própria médica diz que não faço coisas normais, dá vontade de dizer um monte de desaforo, já aceitei ser chamada de excêntrica, estranha e todos os outros vários adjetivos que costumam utilizar pra me caracterizar, porque não me ofendem, de verdade, agora, minha psiquiatra dizer que tenho transtorno, que não tenho feito coisas normais, isso sim é ofensa. Não é frase clichê, é uma grande verdade, ninguém é normal hoje em dia, porque eu, uma depressiva louca, seria diferente da maioria? A única diferença é o fato de eu ter passado por um diagnóstico, o que é tão fácil burlar.   
Ah, cansei, minha cabeça ferve quando falo disso, sei que a minha loucura não foge da normalidade e é isso que importa. O que eu penso de mim é mais importante, os outros, que achem outro assunto.    

sexta-feira, outubro 19, 2012

Seria cômico se não fosse trágico

E, no final das contas, a namorada dele foi quem conseguiu me compreender. Alguém naquela relação aparentemente tem um pouco de bom senso. rsrs
C'est la vie!

quarta-feira, outubro 17, 2012

Hoje

E mais uma amiga grávida, além de outras 2 e da minha prima. O tempo passa, todo mundo se apaixona, se amarra, se casa, engravida e eu... Só fazendo merda, como sempre. Não é que eu queira estar em um relacionamento, é bem óbvio que tô meio traumatizada e é até bom ficar reclusa por um tempo. Analisei um pouco a minha vida e percebi que parece que sempre estive dentro de algum tipo de relacionamento, eu meio que vivi a vida de cada um deles e isso até explica porque a minha vida acabou quando terminei com o ex.
Ficar só está sendo uma forma interessante de me conhecer e é a primeira vez na vida que, de fato, fico só e não sinto a menor falta de ninguém, aliás, tenho evitado pra caramba, pensar em relacionamento me lembra preocupação, aventura então, completamente fora de cogitação. Aff, mudei tanto que nem me reconheço! As coisas que mais gostava acabam sendo as que mais abomino agora. Sou puro paradoxo! Oscilo a todo tempo, uma hora quero, na outra pulo fora. Uma hora tô cansada, segundos depois, sou dominada pela insônia. Inércia é meu apelido, vivo cansada. Depressão é uma desgraça mesmo. Sei que toda doença é chata, mas depressão é uma merda, tem horas que acho que vou pirar, quero rir, quero ficar feliz e nem consigo sair da cama. 
No outro dia, acordo (depois de alguns remedinhos, claro) me perguntando, que dia é hoje? Graças à tecnologia, meu celular me localiza. Aí vem aquela coisa, peraí, eu sonhei, aconteceu mesmo, fiz, falei? Não sei. Tá tudo tão confuso. Penso, penso, penso, ah, deixa pra lá, tem coisas que nem vale a pena pensar. É melhor me preocupar em como encontrar disposição pra fazer o que tenho que fazer. Quanta preocupação! Não quero sair de casa, quanto mais escolher a roupa que tenho que vestir, me arrumar, correr pra mamãe não perceber que eu não comi nada. É, ter fome é uma regalia, mas fiz um propósito e pretendo cumpri-lo, tanto que hoje almocei comida, por mais estranho que pareça não sei quando comi pela última vez, já que, geralmente, empurro alguns pães de queijo com coca-cola pra não ficar de estômago vazio e pronto. Pode não parecer tão saudável, mas tá funcionando, engordei, então, funciona.  
Assim parece que o tempo passa mais fácil, vou matando as atividades aos poucos, com certas dificuldades,   sonhando com a minha cama, mas, no fim, não tenho muito de que reclamar. Trabalho e ganho relativamente bem para o esforço que faço, pago minhas contas, meu tratamento, vou levando. Lembro que antes tava super nervosa com medo de uma crise chata quando voltasse a trabalhar, um dos maiores medos de voltar a ter uma vida pública era essa super exposição, as pessoas são tão curiosas que chega a incomodar, mas foi bem mais tranquilo do que imaginei. 
Na verdade, até me ajudou bastante, me sinto viva em sala de aula. É incrível como dizem que estou melhor, mais bonita, mais confiante. Interessante como as pessoas se importam com as aparências e em outros momentos, eu certamente reclamaria, agora não, faz bem pro ego e eu tô precisando. A vida precisa voltar a ter sentido pra mim, pelo que eu represento pra mim mesma independente dos outros. Nada nessa vida é por acaso, nada é coincidência, até o salmista dizia que foi bom ter sido castigado, hoje sei bem porquê. A dor nos ensina, insistir no que não é pra ser, é burrice, é pedir pra sofrer mais. Dói, demora pra caramba, às vezes parece até que é impossível sobreviver a tanta dor, mas em algum momento se encontra um outro caminho.
Lembro de uma vez dizer pro meu orientador que não sabia o que fazer na minha dissertação, imagina, uma pesquisa que vinha sendo construída há anos, era impossível não ter nada pra dizer. Então, com todo aquela calma tão característica, ele me olhou e disse, podes seguir vários caminhos, te acalma e escolhe um. Nossa, como isso faz sentido pra tudo. Por que a gente tem mania de complicar tudo? Minha vida virou de cabeça pra baixo, cheguei no fundo do poço e cavei mais um pouco (isso pra ser eufêmica), mas tô viva, impressionantemente saudável, com algumas cicatrizes, óbvio, mas bem mais experiente, mais sensível, sensata. Deus sabe o que faz, ou melhor, o que Ele permite que aconteça e, como disse ao meu pastor,  pessoas como eu precisam apanhar muito pra entender coisas fundamentais e começar a ter tranquilidade, estabilidade, pra olhar com tédio e perspicácia o que não faz bem, pra aproveitar as coisas mais simples e tão essenciais. 
Infelizmente, trago marcas bem difíceis, cicatrizes muito profundas e, por vezes, extremamente visíveis, mas será que não é isso que faz de mim o que sou e não o que era? Lamentar apenas não resolve nada, olhar as marcas só traz toda a dor de volta, não é disso que preciso. Preciso focar no que é importante, no que acrescenta e faz bem. Não lamento nada do que aconteceu, não faria nada diferente porque era o que queria naquele momento, errei, me arrependi, me decepcionei, como qualquer ser humano normal, o importante é o que vou fazer disso daqui pra frente.
Não sei mais o que quero, do que gosto, nem quem sou, mas sei bem o que não quero, o que não gosto e o que fui e isso vale tudo. Isso é toda minha vida. Pra quê tentar encontrar sentido? Basta viver, o meu caminho foi traçado por Deus, não por mim, só preciso seguir em frente e entender o que Ele quer de mim. Simples assim. 
É, tô chegando aos 48kg, tô bem mais fofinha! Na verdade, não sei nem o que dizer, ou melhor, o que sentir. Será que ainda sei o que é sentir? Não senti a lâmina no meu pulso, só conseguia ver o sangue no meu lençol; da outra vez, também não senti nada, me achava bem lúcida embora na emergência tenham dito que estava à beira de uma overdose depois de 14 comprimidos de calmante.
No mais, estou bem, é o que digo pra todo mundo. Escondendo as cicatrizes, ninguém nota, nem eu. 

sexta-feira, outubro 12, 2012

Sabia que era só papo, esta história de me ver sem nenhum sentido pejorativo erótico, logo quem, isso não existe pra ele. Mas, quem sabe, o dia não acabou ainda. De qualquer forma, disse antes e repito, nem adianta tentar, se depender de mim, vai ficar na mão. rsrs 

Tolices do dia a dia

Depois de tanto tempo longe do blog, fiquei com tanta coisa pra escrever... Dentre todas, pra mim, essa não pode passar. Não é que uma dessas criaturas que fez questão de se aproximar de mim no passado (porque só pra lembrar, não vou atrás de ninguém), fez questão de dizer que não lembrava de mim? Como assim?
 Sempre soube que nos encontraríamos por aí, de alguma forma nos esbarraríamos pelas escolas (no sentido literal) da vida, enfim, coisas da profissão, mas esta era a atitude mais inesperada de todas. Ah, é que eu conheço tanta gente que eu nem me lembro de você. Que cara de pau, tava na cara que ele lembrava e tava tentando disfarçar. Mas quer saber, não importa, não sou vingativa, nem pretendo fazer nada contra ele, mas se a vida me ensinou alguma coisa foi que quem ri por último, ri melhor.
E depois de tanto tempo eu encontrei você... Como pode, depois de 10 anos, uma pessoa ser tão atraente ou até mais que antes? Mas agora que nossas posições mudaram, prefiro seguir à risca o velho ditado, onde se ganha o pão, não se come a carne. rsrs

Resposta

Que tipo de amiga eu sou? Aquela que fala a verdade, mesmo que doa em mim e no outro. Agora, se quer pousar de bom moço apaixonado, problema teu, como dizias, passado é algo que temos que carregar, seja ele bom ou ruim, carrego o meu, então, tenha coragem de carregar o teu. Machucar as pessoas, passar por cima delas pra chegar onde quer não é uma característica exclusivamente tua, pode ter certeza.
Não sou do tipo que esconde ou mente, até porque já faz tanto tempo, pra quê desenterrar? Eu só precisava desabafar, foi isso que fiz, sem mentiras, apenas com alguns eufemismos por consideração, algo que alguém ou alguéns esqueceram de ter por mim.
De qualquer forma, nada ficou resolvido, nada mesmo, mas era de se esperar. Algumas pessoas demoram um pouco mais para amadurecer.

terça-feira, outubro 09, 2012

Trabalho, trabalho, trabalho e assédio e trabalho, trabalho e mais trabalho e mais assédio... De volta à vida pública.

Mais passado... Aff!!!


      Passou rasgando pela garganta, mas passou. Tô, como sempre, tentando entender o incompreensível, grande busca vã. Acho que deveria estar cansada de tentar, então, por que continuo? Não sei. Só sei que não gosto de inimizade, de mágoa. Só quero ficar bem, quero que ele esteja bem também, já que fez mais parte da minha vida do que deveria.
A escolha foi dele, eu que lide com as consequências, foi sempre assim enquanto estivemos juntos, por que seria diferente agora? Eu deveria saber. Não importa se eu concordo ou não, não importa quem é ela ou o que fez, simplesmente era pra ser ela, questionar o quê? Nada acontece por acaso na minha vida, ele não foi acaso, todo o desastre também não foi por acaso. Deus sabe o que faz e isso está mais claro que nunca.      

Se guardo mágoas, não sei, tenho certeza das feridas que ele deixou, mas há algum tempo meu mundo deixou de girar em torno dele, pela primeira vez me senti um pouco à vontade pra conversar, pra retomar alguma coisa, qualquer que seja, desde que haja certa distancia. Era só isso, mas precisava ele me questionar, precisava questionar minha dor, claro, ele é sempre o ponto de referência mesmo.   
O que quer dizer verdadeiro ou falso? É só uma opinião partindo de um ponto de referência, que, não por acaso, é ele mesmo novamente.
Eu tenho o direito de falar o que quero pra eu quem quiser, principalmente o que me afeta, porque essa é a única forma que encontrei pra aliviar toda essa pressão que é a minha vida emocional. Há anos faço isso, por que incomoda tanto? Talvez porque a minha verdade não seja a verdade dele. Não é óbvio que quando se apanha a dor é bem pior do que a de quem bate? Já dizia meu pai: quem bate esquece, quem apanha lembra. É muito fácil dizer que está tudo bem, que é passado, quando fui eu quem teve de lidar com os destroços mesmo, remontar cada ínfimo pedacinho arrancado. 
Fui eu que sofri sozinha, fui eu quem sofreu a humilhação de ser traída e ter de ficar calada por não suportar a posição de vítima, de coitadinha diante dos outros, como ela fez, aliás. Fui eu que me afastei pra que ele pudesse ser feliz com a pessoa que escolheu, sem que visse o que me causou... e como doeu... só eu sei. Qual é a verdade? A minha é a de que foi ele quem nos expôs pra todo mundo andando com ela por aí, enquanto eu fazia vista grossa pra tudo, dizia que tava infeliz e pedia, ou melhor, implorava pra resolvermos de uma vez, mas até isso é culpa minha, ao que parece. Depois de tudo, errei mais uma vez.
É proibido dizer o que se sente? Me desculpe, me desculpe mesmo, mas eu não sabia, nem era essa a intenção. Só queria sair de cena calada, pensava que estava o ajudando. Já que ninguém podia me ajudar, pelo menos ele ficaria bem, um de nós deveria ficar, não?
Parei um pouco e foi rápido pra eu perceber que tudo não passava de um grande erro, que há muito tempo não tínhamos nada a ver. Era a vez dela, quando acaba, acaba, não há nada a se fazer, é só seguir em frente, diziam todos, o tempo ajuda (embora eu não ache que ele possa tanto), e agora, depois de um ano, tive certeza, tive de reagir pra cuidar do que sobrou.

sexta-feira, maio 25, 2012

Desconhece-te a ti mesmo

Eliane Brum


Uma amiga me contava na semana passada que iniciou uma nova aventura psicanalítica. Depois de anos, ela encerou uma análise que lhe permitiu desatar muitos nós de sua vida e iniciou uma nova jornada no divã de outro psicanalista. Não foi uma troca de profissionais. Apenas o reconhecimento de que uma boa história havia se encerrado e o desejo de começar outra. O novo psicanalista perguntou a ela: “O que você espera desta análise? ”.  Minha amiga respondeu: “Eu quero me desconhecer”.
Achei uma excelente resposta. Ou uma ótima pergunta sobre si mesma. Na mesma semana, conversando com outro amigo, de uma área bem diferente, ele me contava que não consegue mais se sentir estimulado pelo que durante as primeiras décadas da sua vida profissional lhe deu grande prazer e reconhecimento. Está mais interessado nos meandros de um novo esporte que começou a praticar do que nos temas que sempre o interessaram. Só que toda a sua vida adulta e sua estabilidade financeira foram construídas sobre aquilo que hoje não lhe dá mais tesão. Ou, seria mais exato dizer, não lhe dá mais tesão fazer do jeito que fazia antes e que deu certo no passado, mas que hoje não faz mais sentido para ele. 
A mesma questão tem aparecido em conversas com outros amigos. Por alguma razão – e não exatamente a faixa etária, porque a primeira amiga tem 30 e poucos e o segundo mais de 50 –, estou cercada de pessoas que vivem um momento de vazio. Eu incluída. Quem me acompanha sabe que em março deixei meu emprego na revista Época, mantendo apenas esta coluna, e comecei uma vida sem carteira assinada nem estabilidade e com dinheiro apenas para o básico. Naquele momento, quando escrevi sobre a minha escolha num texto chamado “Escrivaninha Xerife”, eu dizia que meu desejo era me reinventar. Hoje, passados quase cinco meses dessa mudança, descubro que, para me reinventar é preciso antes me desconhecer.
Foi uma surpresa para mim – como, por outros caminhos, está sendo para meus amigos tão diferentes do início deste texto. Hoje, não basta saber quem eu sou. É preciso também saber quem eu não sou. Para, então, saber quem eu posso ser. Vou tentar explicar melhor. Para nos estabelecermos na vida adulta precisamos construir um personagem. Não com a total liberdade com que muitos sonham e alguns se iludem que têm, mas com algum grau de livre arbítrio. Embora variem as nuances do que as pessoas pensam sobre cada um de nós, há algo que é geral, que emana desse personagem que criamos. E, aqui, quando me refiro à personagem, não há nenhuma relação com falsidade ou simulação. É tão verdadeiro quanto qualquer coisa pode ser verdadeira. 
Na medida em que esse personagem se torna convincente, no sentido de ser bem-sucedido na sua relação com as várias esferas sociais, ele nos dá possibilidades e também nos tira possibilidades. Ele nos dá estabilidade, segurança, certezas, reconhecimento. Mas ele contém em si uma armadilha. Do tipo: “Bom, então é isso o que eu sou e esta é a minha vida, daqui em diante é só navegar”. Este tipo de conclusão pode se tornar uma prisão se você achar que esse personagem é tudo o que você é. Ou que tudo que havia para ser decidido na sua vida já está dado. Neste caso, a natureza fluida que nos habita vira cimento. E a busca, que é a matéria que move nossa existência, termina. 
O que descubro – e que tem se mostrado um caminho bem mais difícil do que eu imaginava que seria – é a necessidade de se manter, pelo menos em parte, estrangeiro à própria vida. Manter algo de si no vazio, uma parte de nós capaz de olhar para o todo como terra desconhecida, aberta para o espanto de nós em nós. Ou seja: é preciso ser capaz de olhar para nós mesmos com estranhamento para que possamos enxergar possibilidades que um olhar viciado tornaria invisíveis. Este é o processo de se desconhecer como uma forma mais profunda de se conhecer. Para novamente se desconhecer e assim por diante. Exige muita coragem. Porque dá um medo danado. 
Ao mudar minha vida para me reapropriar do meu tempo, um dos meus planos era me dar ao luxo de ficar olhando para o teto, por exemplo, sem fazer nada que pudesse ser considerado útil ou produtivo. Queria ser um pouco perdulária com o meu tempo num sentido novo. Em vez disso, tratei de ocupar todas as minhas horas com tarefas minhas, mas tarefas. Em vez de acordar às 6h30, como fazia quando tinha emprego e salário, passei a acordar às 4h30. Eu tinha tanto medo do vazio que resolvi preenchê-lo todo, a ponto de quase não dormir. Descobri que precisava abrir mão da covardia de não querer ter tempo para tudo o que não sei o que é. Demorei meses, me angustiei bastante, mas consegui me lambuzar de uma liberdade nova. 
Descobri também que deveria fechar algumas portas – e não mais abri-las. Passei boa parte dos últimos anos abrindo portas e experimentando o que havia do outro lado. Isso me levou a experiências ricas e me ajudou a construir o momento em que pude começar a fechar portas. Descobri então que tão importante quanto abrir é ter a coragem de fechar. E fechar é muito mais difícil. Quando quase tudo está em aberto, é preciso ser muito seletivo com relação às portas. O que eu quero, o que eu não quero. O que é importante, o que não é importante. O que é bom para mim, o que não é. As pessoas com quem vale a pena compartilhar projetos, as que não quero manter perto de mim. O que me leva a algum lugar novo ou a alguma forma nova de ver o mesmo lugar, o que me traz de volta ao mesmo ponto. 
Recebi convites de todos os tipos, alguns bem inusitados. Para ganhar muito mais dinheiro do que jamais ganhei, para não ganhar nada, para fazer o que nunca fiz, para fazer o que sempre fiz. Tive de parar e pensar que naquele momento eu tinha de recusar tudo porque ainda que algumas propostas fossem quase irrecusáveis, eu precisava ficar no vazio e me desconhecer para ser capaz de fazer escolhas mais verdadeiras. Eu precisava me desintoxicar de mim para poder ser mais eu mesma. 
Descobri ainda que é preciso resistir também às certezas que as pessoas têm sobre nós. Há gente de todo o tipo. E alguns ficam muito desorientados se a gente muda, se qualquer coisa ao redor deles muda. Querem desesperadamente que voltemos a ser um clichê seguro. Quando você abre mão do seu clichê, o clichê que mora em alguns começa a coçar. Desinteressei-me de alguns amigos que queriam porque queriam que eu dissesse que sentia falta da vida que tinha, muito parecida com a deles. Percebi que torciam menos secretamente do que gostariam para que meu projeto desse errado, para então continuar vivendo em paz com certezas sobre as quais, ao que parece, têm muitas dúvidas. Do mesmo modo que guardei apenas um olhar de Mona Lisa para aqueles que adoram teorias conspiratórias e queriam saber “de verdade” o que tinha acontecido, porque lidam melhor com fofocas velhas do que com fatos novos. Fechar portas é também virar as costas para quem exige que sejamos sempre os mesmos para sua própria comodidade. 
Mas, mais difícil do que resistir à necessidade de certezas de quem está ao nosso redor, é resistir à nossa própria necessidade de certezas – abrir mão de nossos clichês pessoais. Me descobri agarrada a todos os meus como um daqueles náufragos de histórias em quadrinhos boiando sobre destroços em mar aberto. Nos primeiros tempos, ficava muito desorientada com uma pergunta recorrente que me faziam: “Mas você deixou de ser repórter?”. Não! Eu não deixei de ser repórter, gosto cada vez mais de ser repórter. Mas ser repórter não é tudo o que eu sou. Boa parte das pessoas entende muito bem quando você não dá certo no que faz e tenta ser ou fazer outras coisas. Mas acha inadmissível que você dê certo e também tente ser ou fazer outras coisas. Não negando a sua história, pelo contrário. Mas a usando para criar outros eus possíveis. 
Descobrir as outras possibilidades do que sou é, neste momento, minha maior tarefa. Para chegar a isso preciso me perder de mim, me desconhecer. Neste sentido, hoje minha reportagem mais difícil é a busca destes outros personagens que moram no universo sem limites definidos do que sou. E que são tão verdadeiros quanto a repórter que sou. E que me tornarão melhor repórter do que pude ser antes de construir a chance de viver a verdade dessa busca. 
Um momento de vida que é apenas um momento que também deve ser superado para que outros possam vir, já que não me interessa sair de um escaninho para cair em outro. Nada impede que amanhã eu descubra que ter um emprego e um formato de vida mais estável é o melhor para mim – ou que não, eu continue achando mais divertido viver com mais autonomia e menos dinheiro. Ou que invente um jeito novo que serve para mim, mas pode não servir para mais ninguém. O contrato que assinei comigo mesma é o de seguir coerente com a necessidade de me buscar. 
Quando minha amiga repetiu para mim o que disse ao analista – “Estou aqui porque quero me desconhecer” –, ela me ajudou a compreender melhor o meu momento. E eu pude dizer a meu outro amigo que ele precisa ter a coragem de se manter sem saber quem é por um tempo, para poder então descobrir o que quer fazer com seu desejo. Conto esta experiência aqui porque acredito que outras pessoas possam estar vivendo algo parecido, por caminhos e circunstâncias próprias – e acho importante refletirmos juntos. Manter parte de nós no vazio gera muito angústia, mas, se tivermos a coragem de aguentar um pouco, nos leva a lugares desconhecidos e excitantes de nós mesmos. Não é nem que as perguntas mudem, mas é o jeito de fazê-las que precisa ser novo para que possamos alcançar respostas mais estimulantes. Tenho para mim que as grandes perguntas de todos nós são sempre as mesmas, o que muda é como buscamos as respostas. 
Acho que se desconhecer é sacudir o cimento que há em nós, colocado por nossas mãos e também pelas mãos ávidas dos outros. E isso vale para tudo, até para coisas muito triviais. Como aquelas frases: “Fulano não come peixe” ou “Sicrano detesta sair de casa”. Se o fulano acredita que porque não comia peixe aos dez anos não vai comer aos 30, nunca vai saber o gosto de um tambaqui. Assim como nenhuma pequena ou grande aventura acontecerá ao sicrano que não se arrisca além da porta da rua porque está esmagado no sofá da sala pelo dogma que criou para si e que os outros ajudaram a cimentar. Porque é só o começo. Destes pequenos dogmas se passa para outras verdades absolutas que dizem respeito a todas as áreas da vida. “Fulano é assim”, portanto fulano é imutável e, portanto, fulano está morto, mas não sabe. 
Meu conselho é fugir de frases do gênero: “Eu sou um tipo de pessoa que...” ou “Deixa eu te contar que tipo de pessoa eu sou...”. Suspeito que quem diz essas coisas não sabe nem o caminho de casa. Acho que as buscas mais interessantes começam com frases como: “Não sei mais quem eu sou” ou “Não tenho ideia de quem eu sou”. Ótimo, podemos dizer que começamos a nos conhecer. Claro que só para nos perdermos logo adiante. Afinal, para que mais serve a vida? 

terça-feira, maio 22, 2012

Consegui chegar aos 45 kg! Era pra eu estar feliz? Não sei nem o que sentir. Quando finalmente meu peso saiu da casa dos 42, 43kg, que nunca aumentavam, fico sem saber o que dizer. E isso não é o pior. Acabei de descobrir que liguei pra ele num momento de crise. Como assim? É, eu liguei e não lembrava, o pior é que falei que estava sem tomar meu remédio. Pronto! Se ele achava que sou louca, agora tem certeza. 
Geralmente, as pessoas não entendem bem o que é isso e tenho me protegido o suficiente pra não ser mal interpretada, mas e agora? É tão constrangedor. Percebo que, apesar de tudo, ainda sinto falta do meu amigo, daquela pessoa doce que faria questão de estar ao meu lado se soubesse de um terço de todo esse transtorno. Ou... posso ter esperado demais de alguém que não tenha maturidade suficiente.
Acho que só precisava de um amigo, só precisava de alguém que me olhasse nos olhos sem sentir pena e as pessoas mais próximas a mim sabem de tudo, pra eles, sou alguém digna de pena. Mesmo que não falem, eu percebo os olhares. Todos me dizem como estou bonita, como estou melhor, até que ponto isso verdade?  Não sei, não sei mesmo. 
De uma coisa eu sei: pela primeira vez quero acreditar. Meu cabelo não cai tanto quanto antes, minha pele está melhor, há uns dois meses voltei a fazer as unhas, a cuidar um pouco mais de mim por prazer. Ainda não consigo passar perfume e fazer um monte de outras coisas, mas consigo me olhar no espelho. Semana passada, pela primeira vez, consegui me olhar nos olhos, consegui olhar o resto do meu corpo e me sentir bonita. Fazia tanto tempo! Sentia falta de me arrumar, de ir ao salão, de simplesmente sentir orgulho de mim mesma. 
Aliás, há tempos minha auto-estima estava no chão. Eu não entendo bem, mas sei, permiti que ele jogasse minha auto-estima no lixo e agora tá sendo difícil reencontrá-la. Por que liguei pra ele então, logo pra ele? Só queria alguém pra me escutar, alguém capaz de ouvir, me vendo como sou, sem medir as palavras por medo de me machucar e me deixar pior. Ele era tão frio, com certeza, não me olharia com pena, diria aquelas palavras tão bem selecionadas pra me fazer sentir mal, seria ríspido o suficiente pra jogar na minha cara uma porção de coisas, me culpar pelo que eu havia e não havia feito, distorcer tudo, me deixar mais confusa. Não é masoquismo, mas, às vezes, é preciso um pouco de dureza, eu precisava acordar pra realidade, sair da bolha. Às vezes, preciso de um amigo pra me falar coisas ruins também, só assim se aprende. 
Além disso, apanhar ensina a se preparar pra próxima surra, ou pra saber como evitá-la. Eu me abri completamente pra um sentimento que eu acreditava ser de verdade, mesmo sabendo que não era. Sabia das consequências, mas me agarrei a possibilidade mais remota de todas, tava na hora de ser feliz. 
Eu queria viver pela primeira algo de verdade. 
Eu queria o conto de fadas, mas esqueci que passei da idade das princesas.
Depois de tudo, achei que poderiamos ser amigos, talvez porque a amizade tenha funcionado por um tempo. Enfim tinha alguém pra ouvir todas as minhas loucuras, me olhar nos olhos e me ver além disso. Estava e estou cansada de ver vista como um pedaço de carne. Quando passei a ser isso pra ele, foi tão humilhante. Logo ele. Quantas vezes eu disse o quanto desprezava os outros por isso. Se ele gosta de ser assim, o que fazer? Me afastei pra me proteger e pra jogá-lo de um vez por todas nos braços dela. Quer ir, ainda vai embrulhado pra presente. 
Não posso mais ter pessoas assim por perto. Toda minha vida quis ser olhada de verdade.
Outra coisa, não posso dizer que não tenha me afetado, ao contrário do que se imagina, ser trocada por uma pessoa com falta de beleza é ruim também. Se ela fosse bonita, poderia pensar, uma pessoa, mesmo não tão superficial, se encanta pela beleza, é natural. Não estava no meu auge e pra completar, não estava bem com tudo caindo ao meu redor. Sei bem como uma garota bonita consegue desestruturar um relacionamento.
Considerava também que pra se relacionar seriamente com alguém, é preciso ver um pouco de caráter no outro, mas ela não tem isso também. Não sei como se pode confiar em alguém assim, não pelo que ela fez antes, mas pelo que fez pra seduzi-lo mesmo. Um relacionamento de verdade se constrói com confiança, com sinceridade,  não é apenas uma questão de fidelidade. 
Não acho que uma pessoa não mude, pelo contrário, por ter feito tudo que já fiz, sei bem o que é se apaixonar e fazer o possível pra ser melhor, então, talvez ela consiga ter um pouco de caráter, quem sabe agir bem com ele. Não sei e já não me importa. Tá mais que na hora de deixar de me preocupar. Preciso conseguir conviver com tudo isso, porque esquecer é impossível. 
Se tenho certeza de algo é que é impossível apagar tudo, mas nada acontece por acaso. Não seria quem sou hoje se não passasse por tudo e mesmo doendo tanto, não adianta achar melhor que nunca tivesse acontecido, isso só torna as coisas piores. Preciso aceitar que ele não é mais a pessoa que conheci e seguir em frente. Uma hora ou outra aparece alguém disposto a se preocupar comigo, a estar do meu lado como um amigo, só pra me ouvir, só pra me abraçar. Não quero pena, mas também não quero segundas intenções. Será que ninguém consegue estar do meu lado só pra me fazer sentir melhor, sem esperar nada em troca? Era tudo o que eu esperava dele e no final, nem isso ele soube ser. 
Só ele conseguiria quebrar essa barreira que impus a todos e que me fez tanto mal.
Não queria admitir, é estranho, mas é verdade. Bom, tá na hora de tentar dormir.

segunda-feira, maio 07, 2012

Trama triangular dele


Eu              amada              amante


                     Tu


Ela             amante             amada