terça-feira, outubro 09, 2012

Mais passado... Aff!!!


      Passou rasgando pela garganta, mas passou. Tô, como sempre, tentando entender o incompreensível, grande busca vã. Acho que deveria estar cansada de tentar, então, por que continuo? Não sei. Só sei que não gosto de inimizade, de mágoa. Só quero ficar bem, quero que ele esteja bem também, já que fez mais parte da minha vida do que deveria.
A escolha foi dele, eu que lide com as consequências, foi sempre assim enquanto estivemos juntos, por que seria diferente agora? Eu deveria saber. Não importa se eu concordo ou não, não importa quem é ela ou o que fez, simplesmente era pra ser ela, questionar o quê? Nada acontece por acaso na minha vida, ele não foi acaso, todo o desastre também não foi por acaso. Deus sabe o que faz e isso está mais claro que nunca.      

Se guardo mágoas, não sei, tenho certeza das feridas que ele deixou, mas há algum tempo meu mundo deixou de girar em torno dele, pela primeira vez me senti um pouco à vontade pra conversar, pra retomar alguma coisa, qualquer que seja, desde que haja certa distancia. Era só isso, mas precisava ele me questionar, precisava questionar minha dor, claro, ele é sempre o ponto de referência mesmo.   
O que quer dizer verdadeiro ou falso? É só uma opinião partindo de um ponto de referência, que, não por acaso, é ele mesmo novamente.
Eu tenho o direito de falar o que quero pra eu quem quiser, principalmente o que me afeta, porque essa é a única forma que encontrei pra aliviar toda essa pressão que é a minha vida emocional. Há anos faço isso, por que incomoda tanto? Talvez porque a minha verdade não seja a verdade dele. Não é óbvio que quando se apanha a dor é bem pior do que a de quem bate? Já dizia meu pai: quem bate esquece, quem apanha lembra. É muito fácil dizer que está tudo bem, que é passado, quando fui eu quem teve de lidar com os destroços mesmo, remontar cada ínfimo pedacinho arrancado. 
Fui eu que sofri sozinha, fui eu quem sofreu a humilhação de ser traída e ter de ficar calada por não suportar a posição de vítima, de coitadinha diante dos outros, como ela fez, aliás. Fui eu que me afastei pra que ele pudesse ser feliz com a pessoa que escolheu, sem que visse o que me causou... e como doeu... só eu sei. Qual é a verdade? A minha é a de que foi ele quem nos expôs pra todo mundo andando com ela por aí, enquanto eu fazia vista grossa pra tudo, dizia que tava infeliz e pedia, ou melhor, implorava pra resolvermos de uma vez, mas até isso é culpa minha, ao que parece. Depois de tudo, errei mais uma vez.
É proibido dizer o que se sente? Me desculpe, me desculpe mesmo, mas eu não sabia, nem era essa a intenção. Só queria sair de cena calada, pensava que estava o ajudando. Já que ninguém podia me ajudar, pelo menos ele ficaria bem, um de nós deveria ficar, não?
Parei um pouco e foi rápido pra eu perceber que tudo não passava de um grande erro, que há muito tempo não tínhamos nada a ver. Era a vez dela, quando acaba, acaba, não há nada a se fazer, é só seguir em frente, diziam todos, o tempo ajuda (embora eu não ache que ele possa tanto), e agora, depois de um ano, tive certeza, tive de reagir pra cuidar do que sobrou.

sexta-feira, maio 25, 2012

Desconhece-te a ti mesmo

Eliane Brum


Uma amiga me contava na semana passada que iniciou uma nova aventura psicanalítica. Depois de anos, ela encerou uma análise que lhe permitiu desatar muitos nós de sua vida e iniciou uma nova jornada no divã de outro psicanalista. Não foi uma troca de profissionais. Apenas o reconhecimento de que uma boa história havia se encerrado e o desejo de começar outra. O novo psicanalista perguntou a ela: “O que você espera desta análise? ”.  Minha amiga respondeu: “Eu quero me desconhecer”.
Achei uma excelente resposta. Ou uma ótima pergunta sobre si mesma. Na mesma semana, conversando com outro amigo, de uma área bem diferente, ele me contava que não consegue mais se sentir estimulado pelo que durante as primeiras décadas da sua vida profissional lhe deu grande prazer e reconhecimento. Está mais interessado nos meandros de um novo esporte que começou a praticar do que nos temas que sempre o interessaram. Só que toda a sua vida adulta e sua estabilidade financeira foram construídas sobre aquilo que hoje não lhe dá mais tesão. Ou, seria mais exato dizer, não lhe dá mais tesão fazer do jeito que fazia antes e que deu certo no passado, mas que hoje não faz mais sentido para ele. 
A mesma questão tem aparecido em conversas com outros amigos. Por alguma razão – e não exatamente a faixa etária, porque a primeira amiga tem 30 e poucos e o segundo mais de 50 –, estou cercada de pessoas que vivem um momento de vazio. Eu incluída. Quem me acompanha sabe que em março deixei meu emprego na revista Época, mantendo apenas esta coluna, e comecei uma vida sem carteira assinada nem estabilidade e com dinheiro apenas para o básico. Naquele momento, quando escrevi sobre a minha escolha num texto chamado “Escrivaninha Xerife”, eu dizia que meu desejo era me reinventar. Hoje, passados quase cinco meses dessa mudança, descubro que, para me reinventar é preciso antes me desconhecer.
Foi uma surpresa para mim – como, por outros caminhos, está sendo para meus amigos tão diferentes do início deste texto. Hoje, não basta saber quem eu sou. É preciso também saber quem eu não sou. Para, então, saber quem eu posso ser. Vou tentar explicar melhor. Para nos estabelecermos na vida adulta precisamos construir um personagem. Não com a total liberdade com que muitos sonham e alguns se iludem que têm, mas com algum grau de livre arbítrio. Embora variem as nuances do que as pessoas pensam sobre cada um de nós, há algo que é geral, que emana desse personagem que criamos. E, aqui, quando me refiro à personagem, não há nenhuma relação com falsidade ou simulação. É tão verdadeiro quanto qualquer coisa pode ser verdadeira. 
Na medida em que esse personagem se torna convincente, no sentido de ser bem-sucedido na sua relação com as várias esferas sociais, ele nos dá possibilidades e também nos tira possibilidades. Ele nos dá estabilidade, segurança, certezas, reconhecimento. Mas ele contém em si uma armadilha. Do tipo: “Bom, então é isso o que eu sou e esta é a minha vida, daqui em diante é só navegar”. Este tipo de conclusão pode se tornar uma prisão se você achar que esse personagem é tudo o que você é. Ou que tudo que havia para ser decidido na sua vida já está dado. Neste caso, a natureza fluida que nos habita vira cimento. E a busca, que é a matéria que move nossa existência, termina. 
O que descubro – e que tem se mostrado um caminho bem mais difícil do que eu imaginava que seria – é a necessidade de se manter, pelo menos em parte, estrangeiro à própria vida. Manter algo de si no vazio, uma parte de nós capaz de olhar para o todo como terra desconhecida, aberta para o espanto de nós em nós. Ou seja: é preciso ser capaz de olhar para nós mesmos com estranhamento para que possamos enxergar possibilidades que um olhar viciado tornaria invisíveis. Este é o processo de se desconhecer como uma forma mais profunda de se conhecer. Para novamente se desconhecer e assim por diante. Exige muita coragem. Porque dá um medo danado. 
Ao mudar minha vida para me reapropriar do meu tempo, um dos meus planos era me dar ao luxo de ficar olhando para o teto, por exemplo, sem fazer nada que pudesse ser considerado útil ou produtivo. Queria ser um pouco perdulária com o meu tempo num sentido novo. Em vez disso, tratei de ocupar todas as minhas horas com tarefas minhas, mas tarefas. Em vez de acordar às 6h30, como fazia quando tinha emprego e salário, passei a acordar às 4h30. Eu tinha tanto medo do vazio que resolvi preenchê-lo todo, a ponto de quase não dormir. Descobri que precisava abrir mão da covardia de não querer ter tempo para tudo o que não sei o que é. Demorei meses, me angustiei bastante, mas consegui me lambuzar de uma liberdade nova. 
Descobri também que deveria fechar algumas portas – e não mais abri-las. Passei boa parte dos últimos anos abrindo portas e experimentando o que havia do outro lado. Isso me levou a experiências ricas e me ajudou a construir o momento em que pude começar a fechar portas. Descobri então que tão importante quanto abrir é ter a coragem de fechar. E fechar é muito mais difícil. Quando quase tudo está em aberto, é preciso ser muito seletivo com relação às portas. O que eu quero, o que eu não quero. O que é importante, o que não é importante. O que é bom para mim, o que não é. As pessoas com quem vale a pena compartilhar projetos, as que não quero manter perto de mim. O que me leva a algum lugar novo ou a alguma forma nova de ver o mesmo lugar, o que me traz de volta ao mesmo ponto. 
Recebi convites de todos os tipos, alguns bem inusitados. Para ganhar muito mais dinheiro do que jamais ganhei, para não ganhar nada, para fazer o que nunca fiz, para fazer o que sempre fiz. Tive de parar e pensar que naquele momento eu tinha de recusar tudo porque ainda que algumas propostas fossem quase irrecusáveis, eu precisava ficar no vazio e me desconhecer para ser capaz de fazer escolhas mais verdadeiras. Eu precisava me desintoxicar de mim para poder ser mais eu mesma. 
Descobri ainda que é preciso resistir também às certezas que as pessoas têm sobre nós. Há gente de todo o tipo. E alguns ficam muito desorientados se a gente muda, se qualquer coisa ao redor deles muda. Querem desesperadamente que voltemos a ser um clichê seguro. Quando você abre mão do seu clichê, o clichê que mora em alguns começa a coçar. Desinteressei-me de alguns amigos que queriam porque queriam que eu dissesse que sentia falta da vida que tinha, muito parecida com a deles. Percebi que torciam menos secretamente do que gostariam para que meu projeto desse errado, para então continuar vivendo em paz com certezas sobre as quais, ao que parece, têm muitas dúvidas. Do mesmo modo que guardei apenas um olhar de Mona Lisa para aqueles que adoram teorias conspiratórias e queriam saber “de verdade” o que tinha acontecido, porque lidam melhor com fofocas velhas do que com fatos novos. Fechar portas é também virar as costas para quem exige que sejamos sempre os mesmos para sua própria comodidade. 
Mas, mais difícil do que resistir à necessidade de certezas de quem está ao nosso redor, é resistir à nossa própria necessidade de certezas – abrir mão de nossos clichês pessoais. Me descobri agarrada a todos os meus como um daqueles náufragos de histórias em quadrinhos boiando sobre destroços em mar aberto. Nos primeiros tempos, ficava muito desorientada com uma pergunta recorrente que me faziam: “Mas você deixou de ser repórter?”. Não! Eu não deixei de ser repórter, gosto cada vez mais de ser repórter. Mas ser repórter não é tudo o que eu sou. Boa parte das pessoas entende muito bem quando você não dá certo no que faz e tenta ser ou fazer outras coisas. Mas acha inadmissível que você dê certo e também tente ser ou fazer outras coisas. Não negando a sua história, pelo contrário. Mas a usando para criar outros eus possíveis. 
Descobrir as outras possibilidades do que sou é, neste momento, minha maior tarefa. Para chegar a isso preciso me perder de mim, me desconhecer. Neste sentido, hoje minha reportagem mais difícil é a busca destes outros personagens que moram no universo sem limites definidos do que sou. E que são tão verdadeiros quanto a repórter que sou. E que me tornarão melhor repórter do que pude ser antes de construir a chance de viver a verdade dessa busca. 
Um momento de vida que é apenas um momento que também deve ser superado para que outros possam vir, já que não me interessa sair de um escaninho para cair em outro. Nada impede que amanhã eu descubra que ter um emprego e um formato de vida mais estável é o melhor para mim – ou que não, eu continue achando mais divertido viver com mais autonomia e menos dinheiro. Ou que invente um jeito novo que serve para mim, mas pode não servir para mais ninguém. O contrato que assinei comigo mesma é o de seguir coerente com a necessidade de me buscar. 
Quando minha amiga repetiu para mim o que disse ao analista – “Estou aqui porque quero me desconhecer” –, ela me ajudou a compreender melhor o meu momento. E eu pude dizer a meu outro amigo que ele precisa ter a coragem de se manter sem saber quem é por um tempo, para poder então descobrir o que quer fazer com seu desejo. Conto esta experiência aqui porque acredito que outras pessoas possam estar vivendo algo parecido, por caminhos e circunstâncias próprias – e acho importante refletirmos juntos. Manter parte de nós no vazio gera muito angústia, mas, se tivermos a coragem de aguentar um pouco, nos leva a lugares desconhecidos e excitantes de nós mesmos. Não é nem que as perguntas mudem, mas é o jeito de fazê-las que precisa ser novo para que possamos alcançar respostas mais estimulantes. Tenho para mim que as grandes perguntas de todos nós são sempre as mesmas, o que muda é como buscamos as respostas. 
Acho que se desconhecer é sacudir o cimento que há em nós, colocado por nossas mãos e também pelas mãos ávidas dos outros. E isso vale para tudo, até para coisas muito triviais. Como aquelas frases: “Fulano não come peixe” ou “Sicrano detesta sair de casa”. Se o fulano acredita que porque não comia peixe aos dez anos não vai comer aos 30, nunca vai saber o gosto de um tambaqui. Assim como nenhuma pequena ou grande aventura acontecerá ao sicrano que não se arrisca além da porta da rua porque está esmagado no sofá da sala pelo dogma que criou para si e que os outros ajudaram a cimentar. Porque é só o começo. Destes pequenos dogmas se passa para outras verdades absolutas que dizem respeito a todas as áreas da vida. “Fulano é assim”, portanto fulano é imutável e, portanto, fulano está morto, mas não sabe. 
Meu conselho é fugir de frases do gênero: “Eu sou um tipo de pessoa que...” ou “Deixa eu te contar que tipo de pessoa eu sou...”. Suspeito que quem diz essas coisas não sabe nem o caminho de casa. Acho que as buscas mais interessantes começam com frases como: “Não sei mais quem eu sou” ou “Não tenho ideia de quem eu sou”. Ótimo, podemos dizer que começamos a nos conhecer. Claro que só para nos perdermos logo adiante. Afinal, para que mais serve a vida? 

terça-feira, maio 22, 2012

Consegui chegar aos 45 kg! Era pra eu estar feliz? Não sei nem o que sentir. Quando finalmente meu peso saiu da casa dos 42, 43kg, que nunca aumentavam, fico sem saber o que dizer. E isso não é o pior. Acabei de descobrir que liguei pra ele num momento de crise. Como assim? É, eu liguei e não lembrava, o pior é que falei que estava sem tomar meu remédio. Pronto! Se ele achava que sou louca, agora tem certeza. 
Geralmente, as pessoas não entendem bem o que é isso e tenho me protegido o suficiente pra não ser mal interpretada, mas e agora? É tão constrangedor. Percebo que, apesar de tudo, ainda sinto falta do meu amigo, daquela pessoa doce que faria questão de estar ao meu lado se soubesse de um terço de todo esse transtorno. Ou... posso ter esperado demais de alguém que não tenha maturidade suficiente.
Acho que só precisava de um amigo, só precisava de alguém que me olhasse nos olhos sem sentir pena e as pessoas mais próximas a mim sabem de tudo, pra eles, sou alguém digna de pena. Mesmo que não falem, eu percebo os olhares. Todos me dizem como estou bonita, como estou melhor, até que ponto isso verdade?  Não sei, não sei mesmo. 
De uma coisa eu sei: pela primeira vez quero acreditar. Meu cabelo não cai tanto quanto antes, minha pele está melhor, há uns dois meses voltei a fazer as unhas, a cuidar um pouco mais de mim por prazer. Ainda não consigo passar perfume e fazer um monte de outras coisas, mas consigo me olhar no espelho. Semana passada, pela primeira vez, consegui me olhar nos olhos, consegui olhar o resto do meu corpo e me sentir bonita. Fazia tanto tempo! Sentia falta de me arrumar, de ir ao salão, de simplesmente sentir orgulho de mim mesma. 
Aliás, há tempos minha auto-estima estava no chão. Eu não entendo bem, mas sei, permiti que ele jogasse minha auto-estima no lixo e agora tá sendo difícil reencontrá-la. Por que liguei pra ele então, logo pra ele? Só queria alguém pra me escutar, alguém capaz de ouvir, me vendo como sou, sem medir as palavras por medo de me machucar e me deixar pior. Ele era tão frio, com certeza, não me olharia com pena, diria aquelas palavras tão bem selecionadas pra me fazer sentir mal, seria ríspido o suficiente pra jogar na minha cara uma porção de coisas, me culpar pelo que eu havia e não havia feito, distorcer tudo, me deixar mais confusa. Não é masoquismo, mas, às vezes, é preciso um pouco de dureza, eu precisava acordar pra realidade, sair da bolha. Às vezes, preciso de um amigo pra me falar coisas ruins também, só assim se aprende. 
Além disso, apanhar ensina a se preparar pra próxima surra, ou pra saber como evitá-la. Eu me abri completamente pra um sentimento que eu acreditava ser de verdade, mesmo sabendo que não era. Sabia das consequências, mas me agarrei a possibilidade mais remota de todas, tava na hora de ser feliz. 
Eu queria viver pela primeira algo de verdade. 
Eu queria o conto de fadas, mas esqueci que passei da idade das princesas.
Depois de tudo, achei que poderiamos ser amigos, talvez porque a amizade tenha funcionado por um tempo. Enfim tinha alguém pra ouvir todas as minhas loucuras, me olhar nos olhos e me ver além disso. Estava e estou cansada de ver vista como um pedaço de carne. Quando passei a ser isso pra ele, foi tão humilhante. Logo ele. Quantas vezes eu disse o quanto desprezava os outros por isso. Se ele gosta de ser assim, o que fazer? Me afastei pra me proteger e pra jogá-lo de um vez por todas nos braços dela. Quer ir, ainda vai embrulhado pra presente. 
Não posso mais ter pessoas assim por perto. Toda minha vida quis ser olhada de verdade.
Outra coisa, não posso dizer que não tenha me afetado, ao contrário do que se imagina, ser trocada por uma pessoa com falta de beleza é ruim também. Se ela fosse bonita, poderia pensar, uma pessoa, mesmo não tão superficial, se encanta pela beleza, é natural. Não estava no meu auge e pra completar, não estava bem com tudo caindo ao meu redor. Sei bem como uma garota bonita consegue desestruturar um relacionamento.
Considerava também que pra se relacionar seriamente com alguém, é preciso ver um pouco de caráter no outro, mas ela não tem isso também. Não sei como se pode confiar em alguém assim, não pelo que ela fez antes, mas pelo que fez pra seduzi-lo mesmo. Um relacionamento de verdade se constrói com confiança, com sinceridade,  não é apenas uma questão de fidelidade. 
Não acho que uma pessoa não mude, pelo contrário, por ter feito tudo que já fiz, sei bem o que é se apaixonar e fazer o possível pra ser melhor, então, talvez ela consiga ter um pouco de caráter, quem sabe agir bem com ele. Não sei e já não me importa. Tá mais que na hora de deixar de me preocupar. Preciso conseguir conviver com tudo isso, porque esquecer é impossível. 
Se tenho certeza de algo é que é impossível apagar tudo, mas nada acontece por acaso. Não seria quem sou hoje se não passasse por tudo e mesmo doendo tanto, não adianta achar melhor que nunca tivesse acontecido, isso só torna as coisas piores. Preciso aceitar que ele não é mais a pessoa que conheci e seguir em frente. Uma hora ou outra aparece alguém disposto a se preocupar comigo, a estar do meu lado como um amigo, só pra me ouvir, só pra me abraçar. Não quero pena, mas também não quero segundas intenções. Será que ninguém consegue estar do meu lado só pra me fazer sentir melhor, sem esperar nada em troca? Era tudo o que eu esperava dele e no final, nem isso ele soube ser. 
Só ele conseguiria quebrar essa barreira que impus a todos e que me fez tanto mal.
Não queria admitir, é estranho, mas é verdade. Bom, tá na hora de tentar dormir.

segunda-feira, maio 07, 2012

Trama triangular dele


Eu              amada              amante


                     Tu


Ela             amante             amada

terça-feira, abril 03, 2012

Imperecível

Luxúria

Com você eu fico frágil pra enxergar
Nos seus olhos a minha incerteza
Por isso eu resolvi encerrar
O nosso prazo, o nosso prazo
Pra ver você sorrindo sem ter que invadir
O seu espaço, o seu espaço

Entre você e eu
Ficou quase tudo intocado
Mesmo que a nossa casa caia de repente
Você vai continuar aqui intacto
Na minha vida
na minha cabeça confusa
A sua vida imprevisível
Deixou a nossa validade invisível
E o meu amor imperecível

Com você a vida é sempre tão estranha
Eu te apavoro mas não posso te enfrentar
Por isso eu resolvi desfazer
o nosso laço, O nosso laço
Pra não deixar o tempo destruir
Nosso frasco lacrado

Entre você e eu
Ficou quase tudo intocado
Mesmo que a nossa casa caia de repente
Você vai continuar aqui intacto
Na minha vida
na minha cabeça confusa
A sua vida imprevisível
Deixou a nossa validade invisível
E o meu amor imperecível

Entre você e eu ficou quase tudo intocado
Mesmo que a nossa casa caia de repente
Você vai continuar aqui intacto
Na minha vida
na minha cabeça confusa
A sua vida imprevisível
Deixou a nossa validade invisível
E o meu amor imperecível

sábado, março 31, 2012

Eu já não sei

Roberta Sá


Eu já não sei
Se fiz bem ou se fiz mal
Em pôr um ponto final
Na minha paixão ardente
Eu já não sei
Porque quem sofre de amor
A cantar sofre melhor
As mágoas que o peito sente

Quando te vejo e em sonhos sigo os teus passos
Sinto o desejo de me lançar nos teus braços
Tenho vontade de te dizer frente a frente
Quanta saudade há do teu amor ausente
Num louco anseio, lembrando o que já chorei
Se te amo ou se te odeio
Eu já não sei

Eu já não sei
Sorrir como então sorria
Quando em lindos sonhos via
A tua adorada imagem
Eu já não sei
Se deva ou não deva querer-te
Pois quero às vezes esquecer-te
Quero, mas não tenho coragem


Acabei de me deparar com algo que havia escrito há algum tempo, dia 21/11/2010, pra ser mais precisa:

"Não gosto de pensar no tempo em que era feliz, porque isso me faz lembrar no quanto consigo ser infeliz".

Nunca foi tão atual!

domingo, março 25, 2012

Eu e os outros

Aos 44 quilos, nada parece tão diferente de antes, não pra mim, mas pros outros. Não aguento mais os comentários dos outros. Me olho no espelho e vejo as mesmas imperfeições, as mesmas gordurinhas fora do lugar, nada demais, só essa doença que me consome. Dói ver meus cabelos no chão, minha pele, meus dentes, minhas unhas, tudo enfraquecido. E enquanto isso, as pessoas fazem questão de me torturar, de me dizer o quanto estou feia tão magra, como se eu devesse me importar com a opinião deles, droga, tenho outras coisas mais sérias com que me preocupar. Será que ninguém percebe?
Eu devo ser uma excelente atriz mesmo, porque é impossível estar tão destruída e ainda ter gente se achando no direito de me criticar. ah, cansei, também não quero mais falar sobre isso se não o blog vai virar um diário de uma depressiva quase anoréxica.

Voltas


E depois de todo esse tempo ele vem com um papo furado de querer me ver, de dizer que ainda me deseja, que sente a minha falta quando olha as minhas fotos e se preocupa comigo. O que dizer? Como dizer que estou vazia, que como homem, ele não representa mais nada. Aos poucos, a mágoa vai aliviando, embora não suma, mas pensar em qualquer contato é sofrer por antecedência, é tortura.
Vamos agendar um dia pra nos ver num local discreto? Isso me diz tudo sobre ele, sobre o que ele se tornou, o tipo de homem que há muito está sobrando à minha volta e que eu havia resolvido não me envolver mais no dia em que o conheci, mas com ele é diferente e sabe disso. E é incrível como eu reajo. Poderia fazer o mesmo que ela fez, me aproximar e fazer estragos, exatamente igual, fazê-la provar do próprio veneno... eu não sou assim, diferente dela, eu tenho caráter, tanto que nego mesmo que ele ainda continue me procurando, neguei quando ainda queria e vou continuar negando.
Não é orgulho ferido, é auto-proteção, não volto a cometer os mesmos erros, não volto atrás quando termino algo e ele não vai ser exceção. Se sinto falta, é porque ele foi meu melhor amigo, foi minha base, meu tudo, o maior erro da minha vida. Ninguém deve ser tanto. Eu o amei como nunca amei ninguém, mais que a mim mesma e tirá-lo da minha vida foi a decisão mais sensata em meio a tanto caos.
Ninguém com o mínimo de sensibilidade abandonaria uma pessoa naquela situação ou seria tão cruel dizendo tudo aquilo que eu luto pra arrancar da minha mente e tenho até vergonha de repetir pra não me sentir mais humilhada. Nunca mais.
É tudo tão contraditório. Apesar de tudo, nunca o odiei, não o quero mal, oro por ele e me preocupo, quero vê-lo bem e não consigo me afastar de todo. A única conclusão a que posso chegar é o que disse a ele, tenho certeza de que o amor não acaba, se transforma, não sei como ou no que, mas é a única explicação pra ainda haver tanto carinho, tanto bem querer, mesmo que não haja a menor disposição pra uma volta. Só quero seguir em frente, ser capaz de viver.
Há alguns dias, uma amiga me reencontrou depois de anos sem contato e me disse que eu não havia mudado nada, continuava linda, independente, livre, como quando nos conhecemos. Será? Isso me fez lembrar quem eu era, mas é algo tão distante, parece mais um sonho. Como alguém pode mudar tanto? Não sei mais quem sou, está tudo tão misturado. Não me encontro em lugar nenhum, não me sinto bem com ninguém. Como ele pode fazer isso comigo? Como eu pude deixar ele fazer isso comigo?
Não aceito o lugar de vítima, não preciso da pena de ninguém. Eu só quero entender, só quero conseguir querer algo, lutar por algo, acabar de uma vez por todas com essa sensação de perda, de confusão. Tudo fica rodando enquanto eu quero parar. Quero calma, mas as coisas continuam mudando. Quero descer desta roda gigante, tenho medo de altura e já caí tantas vezes. Tenho medo de mudanças, estou tonta, será que não dá pra parar? Por que ele tinha que ir embora? Por que que tudo tinha que mudar tanto? Eu só quero ficar bem.

É isso mesmo...

Evito olhar os casais de namorados nas paradas de ônibus, e tem um painel publicitário em que um homem olha para uma loira com um desejo tão escancarado que me retorço e choro só de imaginar você olhando assim para outra mulher, e eu sei que você está, ninguém precisa me contar, eu sei como é que você se cura, se trata, você não chora nem lamenta, você volta pra rua, você vai atrás de todas as mulheres nuas feito um vira-lata, você está olhando nesse instante para outra mulher, está entrando nela, dizendo a ela como ela é gostosa, você está me matando dentro de você, e eu morro a quilômetros de distância, a sós comigo mesma, você transa com outra e me mata, você goza e me mata mais um pouco, você dorme e me deixa insone pra sempre, eu sei que não vai ser pra sempre, mas eu não enxergo o dia de amanhã, hoje eu só estou acordada pro eterno desse pesadelo, você era meu, droga, exclusivamente meu até dias atrás, meu como esse sofrimento.

Martha Medeiros

terça-feira, janeiro 31, 2012

Segredo infalível para emagrecer: qualquer lembrança ou contato com ele e a fome se vai como num passe de mágica, o problema é conseguir lidar com essa ânsia de vômito depois.

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Peço perdão, novamente...

“Perdoa por eu ter te escolhido para ser pra sempre a minha companhia,

perdoa por eu ter acreditado neste sonho todo dia,

perdoa por eu ter te perdoado na hora que devia ter te esquecido,

perdoa por eu ter me preparado e me guardado pra você...”

terça-feira, janeiro 10, 2012

"A mulher mais bonita da noite", "a bela da festa", como conseguem achar isso? Como as pessoas conseguem ver alguma beleza? Como alguém pode ser tão bela por fora, se está destruída por dentro? Talvez as pessoas mintam mais do que eu.

terça-feira, janeiro 03, 2012

E esta história de cuidar de mim que não me sai da cabeça... Eu não sei o que isso significa. Não nasci com manual de instruções, então, fica difícil saber como, não sei nem por onde começar. Quero retomar a minha vida ou o que sobrou dela, o que ele deixou dela, mas não restaram pedaços suficientes pra me remontar, perdi tanto pelo caminho. Fui deixando os pedaços sem saber que poderia precisar deles depois.
Cuidar de mim, cuidar de mim, cuidar de mim... Ai, o que isso quer dizer? Depois de todo esse tempo só vejo lágrimas, cansei disso, cansei de ser incapaz de fazer coisas tão simples, cansei de sentir medo de tudo, cansei de estar cansada. Ah, melhor deixar isso pra lá.

sábado, dezembro 31, 2011

Sei que foi o melhor a ser feito, tive que deixá-lo. Não era esse o plano, mas afinal, pra onde foram nossos planos? Deve valer alguma coisa pro meu orgulho saber que eu desisti, antes que ele desistisse de mim. Só não sei por onde anda o meu orgulho ultimamente. Acho que vou fazer o que ela me disse, ela estudou pra isso, então tá na hora de cuidar de mim, só falta descobrir como, nunca fiz isso na vida. Tá na hora de me preocupar menos com os outros e olhar pra mais mim... Só acho que tenho medo do que vou encontrar.

quinta-feira, dezembro 08, 2011

Sabe o que acontece ? É que quando você entende o verdadeiro valor do amor, vocêpercebe que não vale a pena sair desperdiçando com qualquer pessoa. Ser solteira deixa de ser uma opção, vira a única saída. Ficar se gastando com quem é pequeno é tão cansativo. E ter que ficar ensinando o que é amor, respeito, cumplicidade... Quero aprender, pra variar um pouco. Ser a pessoa que erra, não a que perdoa, sabe ? Pelo menos por um momento. Quero um colo, um conselho, um amor-amigo. Não quero ser mãe de ninguém, nem namorada-e-só. Quero contar o meu dia, falar do meu passado e do meu futuro sem ter que me policiar, sem receios. Quero olhar nos olhos e me sentir compreendida, sem precisar ficar me explicando sempre. Ás vezes me sinto uma criança brincando de ser adulta. Eu quero ser a criança brincando de ser criança. Não conseguir o que eu quero e chorar, ficar perguntando o porque das coisas. Quero isso, alguém que me deixe ser pequena, sem nunca esquecer o quanto eu sou grande. Não sou professora de sentimentos, UTI de corações partidos, dona da verdade. Sou só a criança, percebe ? Só a criança.
Marcella Fernanda

sábado, outubro 08, 2011


À beira do abismo... Eu posso tentar dar alguns passos pra trás, mas há tempos estou sendo pressionada por todos os lados. Eu não sei se ele vai comigo, sei que está lá e já não quer mais segurar minhas mãos, embora eu tenha insistido cansativamente pra isso, sem desconfiar que o empurrava com mais força do que ele poderia suportar. Olho por todos os lados, choro, sofro, grito, meus pedidos de socorro desesperados parecem ser vãos, agora eu sei a atitude certa a tomar, só não sei se ainda é possível, à essa altura só tenho vertigens, sensações confusas e ele gritando para largá-lo.
Se eu soubesse antes o que sei agora, poderia ter acertado ou ao menos preservado, mas eu tenho tanto medo de altura, não quis arriscar, preferi me agarrar a ele e eu ando tão pesada ultimamente.
Desde já, posso ver o estrago que isso vai causar e posso ver também que não é tão insuportável quanto me parece, às vezes. O que eu não posso aceitar é saber que sou capaz de minimizar a queda e estou inutilizada, todas as outras quedas não criaram apenas cicatrizes, trouxeram-me pequenas asas imperfeitas, muito úteis se conseguir abri-las e, aliás, minhas asas débeis começaram a se abrir.
Olho pro lado e ele ainda está lá, dando pequenos passos desengonçados, tentando continuar jogando fora todos os pesos inúteis, sobretudo, agora que não sou mais um peso, parece mais fácil. Será? Acho que assim como eu, um dia, ele vai perceber que consegue continuar só, se quiser, mas dividir o peso é menos custoso, ter alguém ao lado pra compartilhar é menos doloroso e, mesmo que venhamos a cair, o impacto é menos agressivo. Depois de levantar, é a hora de fazer os curativos, olhar pro alto e se preparar para uma nova subida e, novamente, é mais fácil ter alguém ao lado pra dividir as ataduras, medir as cicatrizes e se preparar para a nova escalada.
É triste ver meus erros se repetirem em outras pessoas e ele é irritamente parecido comigo. No final, a escolha é dele, tudo que posso fazer é esperar, a queda é inevitável, é assim que aprendemos. Sim, vamos cair, basta saber se chegaremos juntos.

sábado, setembro 17, 2011

É mágoa

Ana Carolina
É mágoa
Já vou dizendo de antemão
Se eu encontrar com você
Tô com três pedras na mão
Eu só queria distância da nossa distância
Saí por aí procurando uma contramão

Acabei chegando na sua rua
Na dúvida qual era a sua janela
Lembrei que era pra cada um ficar na sua
Mas é que até a minha solidão tava na dela

Atirei uma pedra na sua janela
E logo correndo me arrependi
Foi o medo de te acertar
Mas era pra te acertar
E disso eu quase me esqueci

Atirei outra pedra na sua janela
Uma que não fez o menor ruído
Não quebrou, não rachou, não deu em nada
E eu pensei: talvez você tenha me esquecido

Eu só não consegui foi te acertar o coração
Porque eu já era o alvo
De tanto que eu tinha sofrido
Aí nem precisava mais de pedra
Minha raiva quase transpassa
A espessura do seu vidro

É mágoa
O que eu choro é água com sal
Se der um vento é maremoto
Se eu for embora não sou mais eu
Água de torneira não volta
E eu vou embora
Adeus

quinta-feira, agosto 18, 2011

Tolices de aniversario


E esse mal estar no dia do meu aniversário? Aniversário deveria ser uma coisa que a gente comemora, fica feliz com as pessoas que ama por perto, por todas as dádivas de mais um ano de vida, principalmente a dádiva de estar viva e não é que eu não esteja feliz por isso ou reclame de alguma forma, mas é que não sei se chegar a idade que cheguei desse jeito era o que queria, talvez em parte sim.
Talvez em parte.
Fiz muito do que queria, cheguei onde planejei, na medida do possível, no que não alcancei, não foi por falta de vontade ou de tentativa. Por vezes incontáveis, mudei os planos, consegui até o que não queria ou o que não esperava... Aconteceram tantas coisas. Isso não é o tipo de chatice que a gente diz por estar mais velho, até porque, ao contrário da maioria, nunca tive pressa de envelhecer, de chegar a maior idade pra poder fazer coisas que não podia antes, sempre fui bem devagar. Mas é por essa quase lerdeza que tinha um certo medo de envelhecer, nunca me imaginava com mais de vinte, parecia assustador, velha demais pra uma menininha infantil como eu e agora que passei um pouquinho disso, nunca tive tanta certeza de que cheguei bem, fiz as escolhas certas que me dão a tranquilidade de dizer algo do tipo "não me arrependo de nada do que eu fiz", embora isso soe mais como orgulho que outra coisa.
Se eu tentar avaliar, tenho um saldo bem positivo de tudo, mas é claro, sempre tem aquilo que poderia ter acontecido e mudado toda a trajetória, pra melhor ou pra pior e não tem como não pensar nisso. É de enlouquecer!
No final das contas, o mínimo que eu esperava hoje era estar bem, bem no sentido de estar feliz, realizada, tranquila, completamente nas nuvens e isso é possível, mesmo que por pequenos momentos. O problema é que faz tanto tempo que não acontece nada parecido. Na verdade, acho que um dos maiores problemas de envelhecer é esse, quase nada surpreende, tudo vai ficando igual ou simplesmente previsível e como boa procrastinadora, vou deixando tudo pra depois, tudo vai continuar como antes ou ao menos do jeito que eu espero que fique mesmo, pra que pressa? Devagar também se chega!
Ajudaria um pouco mais de estímulo, novidades boas, de preferência, a mesmice incomoda, gera pessimismo e talvez até esse mal estar chato. Sei que nem tudo é só notícia boa, mas tá bom de uma trégua, quero folga, quero carinho, é pedir demais? Seria até um bom presente de aniversário. É bom deixar as águas correrem, vamos ver no que quer dá.

quinta-feira, março 03, 2011

Me deixe mudo

Oswaldo Montenegro

Me deixe mudo
Não diga nada
Saiba de tudo
Fique calada
Me deixe mudo

Seja num canto
Seja num centro
Fique por fora
Fique por dentro

Seja o avesso
Seja a metade
Se for começo

Fique à vontade
Não me pergunte
Não me responda
Não me procure
E não se esconda