terça-feira, abril 03, 2012

Imperecível

Luxúria

Com você eu fico frágil pra enxergar
Nos seus olhos a minha incerteza
Por isso eu resolvi encerrar
O nosso prazo, o nosso prazo
Pra ver você sorrindo sem ter que invadir
O seu espaço, o seu espaço

Entre você e eu
Ficou quase tudo intocado
Mesmo que a nossa casa caia de repente
Você vai continuar aqui intacto
Na minha vida
na minha cabeça confusa
A sua vida imprevisível
Deixou a nossa validade invisível
E o meu amor imperecível

Com você a vida é sempre tão estranha
Eu te apavoro mas não posso te enfrentar
Por isso eu resolvi desfazer
o nosso laço, O nosso laço
Pra não deixar o tempo destruir
Nosso frasco lacrado

Entre você e eu
Ficou quase tudo intocado
Mesmo que a nossa casa caia de repente
Você vai continuar aqui intacto
Na minha vida
na minha cabeça confusa
A sua vida imprevisível
Deixou a nossa validade invisível
E o meu amor imperecível

Entre você e eu ficou quase tudo intocado
Mesmo que a nossa casa caia de repente
Você vai continuar aqui intacto
Na minha vida
na minha cabeça confusa
A sua vida imprevisível
Deixou a nossa validade invisível
E o meu amor imperecível

sábado, março 31, 2012

Eu já não sei

Roberta Sá


Eu já não sei
Se fiz bem ou se fiz mal
Em pôr um ponto final
Na minha paixão ardente
Eu já não sei
Porque quem sofre de amor
A cantar sofre melhor
As mágoas que o peito sente

Quando te vejo e em sonhos sigo os teus passos
Sinto o desejo de me lançar nos teus braços
Tenho vontade de te dizer frente a frente
Quanta saudade há do teu amor ausente
Num louco anseio, lembrando o que já chorei
Se te amo ou se te odeio
Eu já não sei

Eu já não sei
Sorrir como então sorria
Quando em lindos sonhos via
A tua adorada imagem
Eu já não sei
Se deva ou não deva querer-te
Pois quero às vezes esquecer-te
Quero, mas não tenho coragem


Acabei de me deparar com algo que havia escrito há algum tempo, dia 21/11/2010, pra ser mais precisa:

"Não gosto de pensar no tempo em que era feliz, porque isso me faz lembrar no quanto consigo ser infeliz".

Nunca foi tão atual!

domingo, março 25, 2012

Eu e os outros

Aos 44 quilos, nada parece tão diferente de antes, não pra mim, mas pros outros. Não aguento mais os comentários dos outros. Me olho no espelho e vejo as mesmas imperfeições, as mesmas gordurinhas fora do lugar, nada demais, só essa doença que me consome. Dói ver meus cabelos no chão, minha pele, meus dentes, minhas unhas, tudo enfraquecido. E enquanto isso, as pessoas fazem questão de me torturar, de me dizer o quanto estou feia tão magra, como se eu devesse me importar com a opinião deles, droga, tenho outras coisas mais sérias com que me preocupar. Será que ninguém percebe?
Eu devo ser uma excelente atriz mesmo, porque é impossível estar tão destruída e ainda ter gente se achando no direito de me criticar. ah, cansei, também não quero mais falar sobre isso se não o blog vai virar um diário de uma depressiva quase anoréxica.

Voltas


E depois de todo esse tempo ele vem com um papo furado de querer me ver, de dizer que ainda me deseja, que sente a minha falta quando olha as minhas fotos e se preocupa comigo. O que dizer? Como dizer que estou vazia, que como homem, ele não representa mais nada. Aos poucos, a mágoa vai aliviando, embora não suma, mas pensar em qualquer contato é sofrer por antecedência, é tortura.
Vamos agendar um dia pra nos ver num local discreto? Isso me diz tudo sobre ele, sobre o que ele se tornou, o tipo de homem que há muito está sobrando à minha volta e que eu havia resolvido não me envolver mais no dia em que o conheci, mas com ele é diferente e sabe disso. E é incrível como eu reajo. Poderia fazer o mesmo que ela fez, me aproximar e fazer estragos, exatamente igual, fazê-la provar do próprio veneno... eu não sou assim, diferente dela, eu tenho caráter, tanto que nego mesmo que ele ainda continue me procurando, neguei quando ainda queria e vou continuar negando.
Não é orgulho ferido, é auto-proteção, não volto a cometer os mesmos erros, não volto atrás quando termino algo e ele não vai ser exceção. Se sinto falta, é porque ele foi meu melhor amigo, foi minha base, meu tudo, o maior erro da minha vida. Ninguém deve ser tanto. Eu o amei como nunca amei ninguém, mais que a mim mesma e tirá-lo da minha vida foi a decisão mais sensata em meio a tanto caos.
Ninguém com o mínimo de sensibilidade abandonaria uma pessoa naquela situação ou seria tão cruel dizendo tudo aquilo que eu luto pra arrancar da minha mente e tenho até vergonha de repetir pra não me sentir mais humilhada. Nunca mais.
É tudo tão contraditório. Apesar de tudo, nunca o odiei, não o quero mal, oro por ele e me preocupo, quero vê-lo bem e não consigo me afastar de todo. A única conclusão a que posso chegar é o que disse a ele, tenho certeza de que o amor não acaba, se transforma, não sei como ou no que, mas é a única explicação pra ainda haver tanto carinho, tanto bem querer, mesmo que não haja a menor disposição pra uma volta. Só quero seguir em frente, ser capaz de viver.
Há alguns dias, uma amiga me reencontrou depois de anos sem contato e me disse que eu não havia mudado nada, continuava linda, independente, livre, como quando nos conhecemos. Será? Isso me fez lembrar quem eu era, mas é algo tão distante, parece mais um sonho. Como alguém pode mudar tanto? Não sei mais quem sou, está tudo tão misturado. Não me encontro em lugar nenhum, não me sinto bem com ninguém. Como ele pode fazer isso comigo? Como eu pude deixar ele fazer isso comigo?
Não aceito o lugar de vítima, não preciso da pena de ninguém. Eu só quero entender, só quero conseguir querer algo, lutar por algo, acabar de uma vez por todas com essa sensação de perda, de confusão. Tudo fica rodando enquanto eu quero parar. Quero calma, mas as coisas continuam mudando. Quero descer desta roda gigante, tenho medo de altura e já caí tantas vezes. Tenho medo de mudanças, estou tonta, será que não dá pra parar? Por que ele tinha que ir embora? Por que que tudo tinha que mudar tanto? Eu só quero ficar bem.

É isso mesmo...

Evito olhar os casais de namorados nas paradas de ônibus, e tem um painel publicitário em que um homem olha para uma loira com um desejo tão escancarado que me retorço e choro só de imaginar você olhando assim para outra mulher, e eu sei que você está, ninguém precisa me contar, eu sei como é que você se cura, se trata, você não chora nem lamenta, você volta pra rua, você vai atrás de todas as mulheres nuas feito um vira-lata, você está olhando nesse instante para outra mulher, está entrando nela, dizendo a ela como ela é gostosa, você está me matando dentro de você, e eu morro a quilômetros de distância, a sós comigo mesma, você transa com outra e me mata, você goza e me mata mais um pouco, você dorme e me deixa insone pra sempre, eu sei que não vai ser pra sempre, mas eu não enxergo o dia de amanhã, hoje eu só estou acordada pro eterno desse pesadelo, você era meu, droga, exclusivamente meu até dias atrás, meu como esse sofrimento.

Martha Medeiros

terça-feira, janeiro 31, 2012

Segredo infalível para emagrecer: qualquer lembrança ou contato com ele e a fome se vai como num passe de mágica, o problema é conseguir lidar com essa ânsia de vômito depois.

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Peço perdão, novamente...

“Perdoa por eu ter te escolhido para ser pra sempre a minha companhia,

perdoa por eu ter acreditado neste sonho todo dia,

perdoa por eu ter te perdoado na hora que devia ter te esquecido,

perdoa por eu ter me preparado e me guardado pra você...”

terça-feira, janeiro 10, 2012

"A mulher mais bonita da noite", "a bela da festa", como conseguem achar isso? Como as pessoas conseguem ver alguma beleza? Como alguém pode ser tão bela por fora, se está destruída por dentro? Talvez as pessoas mintam mais do que eu.

terça-feira, janeiro 03, 2012

E esta história de cuidar de mim que não me sai da cabeça... Eu não sei o que isso significa. Não nasci com manual de instruções, então, fica difícil saber como, não sei nem por onde começar. Quero retomar a minha vida ou o que sobrou dela, o que ele deixou dela, mas não restaram pedaços suficientes pra me remontar, perdi tanto pelo caminho. Fui deixando os pedaços sem saber que poderia precisar deles depois.
Cuidar de mim, cuidar de mim, cuidar de mim... Ai, o que isso quer dizer? Depois de todo esse tempo só vejo lágrimas, cansei disso, cansei de ser incapaz de fazer coisas tão simples, cansei de sentir medo de tudo, cansei de estar cansada. Ah, melhor deixar isso pra lá.

sábado, dezembro 31, 2011

Sei que foi o melhor a ser feito, tive que deixá-lo. Não era esse o plano, mas afinal, pra onde foram nossos planos? Deve valer alguma coisa pro meu orgulho saber que eu desisti, antes que ele desistisse de mim. Só não sei por onde anda o meu orgulho ultimamente. Acho que vou fazer o que ela me disse, ela estudou pra isso, então tá na hora de cuidar de mim, só falta descobrir como, nunca fiz isso na vida. Tá na hora de me preocupar menos com os outros e olhar pra mais mim... Só acho que tenho medo do que vou encontrar.

quinta-feira, dezembro 08, 2011

Sabe o que acontece ? É que quando você entende o verdadeiro valor do amor, vocêpercebe que não vale a pena sair desperdiçando com qualquer pessoa. Ser solteira deixa de ser uma opção, vira a única saída. Ficar se gastando com quem é pequeno é tão cansativo. E ter que ficar ensinando o que é amor, respeito, cumplicidade... Quero aprender, pra variar um pouco. Ser a pessoa que erra, não a que perdoa, sabe ? Pelo menos por um momento. Quero um colo, um conselho, um amor-amigo. Não quero ser mãe de ninguém, nem namorada-e-só. Quero contar o meu dia, falar do meu passado e do meu futuro sem ter que me policiar, sem receios. Quero olhar nos olhos e me sentir compreendida, sem precisar ficar me explicando sempre. Ás vezes me sinto uma criança brincando de ser adulta. Eu quero ser a criança brincando de ser criança. Não conseguir o que eu quero e chorar, ficar perguntando o porque das coisas. Quero isso, alguém que me deixe ser pequena, sem nunca esquecer o quanto eu sou grande. Não sou professora de sentimentos, UTI de corações partidos, dona da verdade. Sou só a criança, percebe ? Só a criança.
Marcella Fernanda

sábado, outubro 08, 2011


À beira do abismo... Eu posso tentar dar alguns passos pra trás, mas há tempos estou sendo pressionada por todos os lados. Eu não sei se ele vai comigo, sei que está lá e já não quer mais segurar minhas mãos, embora eu tenha insistido cansativamente pra isso, sem desconfiar que o empurrava com mais força do que ele poderia suportar. Olho por todos os lados, choro, sofro, grito, meus pedidos de socorro desesperados parecem ser vãos, agora eu sei a atitude certa a tomar, só não sei se ainda é possível, à essa altura só tenho vertigens, sensações confusas e ele gritando para largá-lo.
Se eu soubesse antes o que sei agora, poderia ter acertado ou ao menos preservado, mas eu tenho tanto medo de altura, não quis arriscar, preferi me agarrar a ele e eu ando tão pesada ultimamente.
Desde já, posso ver o estrago que isso vai causar e posso ver também que não é tão insuportável quanto me parece, às vezes. O que eu não posso aceitar é saber que sou capaz de minimizar a queda e estou inutilizada, todas as outras quedas não criaram apenas cicatrizes, trouxeram-me pequenas asas imperfeitas, muito úteis se conseguir abri-las e, aliás, minhas asas débeis começaram a se abrir.
Olho pro lado e ele ainda está lá, dando pequenos passos desengonçados, tentando continuar jogando fora todos os pesos inúteis, sobretudo, agora que não sou mais um peso, parece mais fácil. Será? Acho que assim como eu, um dia, ele vai perceber que consegue continuar só, se quiser, mas dividir o peso é menos custoso, ter alguém ao lado pra compartilhar é menos doloroso e, mesmo que venhamos a cair, o impacto é menos agressivo. Depois de levantar, é a hora de fazer os curativos, olhar pro alto e se preparar para uma nova subida e, novamente, é mais fácil ter alguém ao lado pra dividir as ataduras, medir as cicatrizes e se preparar para a nova escalada.
É triste ver meus erros se repetirem em outras pessoas e ele é irritamente parecido comigo. No final, a escolha é dele, tudo que posso fazer é esperar, a queda é inevitável, é assim que aprendemos. Sim, vamos cair, basta saber se chegaremos juntos.

sábado, setembro 17, 2011

É mágoa

Ana Carolina
É mágoa
Já vou dizendo de antemão
Se eu encontrar com você
Tô com três pedras na mão
Eu só queria distância da nossa distância
Saí por aí procurando uma contramão

Acabei chegando na sua rua
Na dúvida qual era a sua janela
Lembrei que era pra cada um ficar na sua
Mas é que até a minha solidão tava na dela

Atirei uma pedra na sua janela
E logo correndo me arrependi
Foi o medo de te acertar
Mas era pra te acertar
E disso eu quase me esqueci

Atirei outra pedra na sua janela
Uma que não fez o menor ruído
Não quebrou, não rachou, não deu em nada
E eu pensei: talvez você tenha me esquecido

Eu só não consegui foi te acertar o coração
Porque eu já era o alvo
De tanto que eu tinha sofrido
Aí nem precisava mais de pedra
Minha raiva quase transpassa
A espessura do seu vidro

É mágoa
O que eu choro é água com sal
Se der um vento é maremoto
Se eu for embora não sou mais eu
Água de torneira não volta
E eu vou embora
Adeus

quinta-feira, agosto 18, 2011

Tolices de aniversario


E esse mal estar no dia do meu aniversário? Aniversário deveria ser uma coisa que a gente comemora, fica feliz com as pessoas que ama por perto, por todas as dádivas de mais um ano de vida, principalmente a dádiva de estar viva e não é que eu não esteja feliz por isso ou reclame de alguma forma, mas é que não sei se chegar a idade que cheguei desse jeito era o que queria, talvez em parte sim.
Talvez em parte.
Fiz muito do que queria, cheguei onde planejei, na medida do possível, no que não alcancei, não foi por falta de vontade ou de tentativa. Por vezes incontáveis, mudei os planos, consegui até o que não queria ou o que não esperava... Aconteceram tantas coisas. Isso não é o tipo de chatice que a gente diz por estar mais velho, até porque, ao contrário da maioria, nunca tive pressa de envelhecer, de chegar a maior idade pra poder fazer coisas que não podia antes, sempre fui bem devagar. Mas é por essa quase lerdeza que tinha um certo medo de envelhecer, nunca me imaginava com mais de vinte, parecia assustador, velha demais pra uma menininha infantil como eu e agora que passei um pouquinho disso, nunca tive tanta certeza de que cheguei bem, fiz as escolhas certas que me dão a tranquilidade de dizer algo do tipo "não me arrependo de nada do que eu fiz", embora isso soe mais como orgulho que outra coisa.
Se eu tentar avaliar, tenho um saldo bem positivo de tudo, mas é claro, sempre tem aquilo que poderia ter acontecido e mudado toda a trajetória, pra melhor ou pra pior e não tem como não pensar nisso. É de enlouquecer!
No final das contas, o mínimo que eu esperava hoje era estar bem, bem no sentido de estar feliz, realizada, tranquila, completamente nas nuvens e isso é possível, mesmo que por pequenos momentos. O problema é que faz tanto tempo que não acontece nada parecido. Na verdade, acho que um dos maiores problemas de envelhecer é esse, quase nada surpreende, tudo vai ficando igual ou simplesmente previsível e como boa procrastinadora, vou deixando tudo pra depois, tudo vai continuar como antes ou ao menos do jeito que eu espero que fique mesmo, pra que pressa? Devagar também se chega!
Ajudaria um pouco mais de estímulo, novidades boas, de preferência, a mesmice incomoda, gera pessimismo e talvez até esse mal estar chato. Sei que nem tudo é só notícia boa, mas tá bom de uma trégua, quero folga, quero carinho, é pedir demais? Seria até um bom presente de aniversário. É bom deixar as águas correrem, vamos ver no que quer dá.

quinta-feira, março 03, 2011

Me deixe mudo

Oswaldo Montenegro

Me deixe mudo
Não diga nada
Saiba de tudo
Fique calada
Me deixe mudo

Seja num canto
Seja num centro
Fique por fora
Fique por dentro

Seja o avesso
Seja a metade
Se for começo

Fique à vontade
Não me pergunte
Não me responda
Não me procure
E não se esconda

domingo, dezembro 05, 2010

Já escondi um amor com medo de perdê-lo, já perdi um amor por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto. Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade... Já tive medo do escuro, hoje no escuro "me acho, me agacho, fico ali".
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo. Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de "amigo" e descobri que não eram... Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre.
(Clarice Lispector)

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Frustrações


Nunca esperei compreensão do mundo, sei o quanto os seres humanos são complicados e cheguei a conclusão de que é perda de tempo tentar agradar a todos, tentar ser reconhecida ou algo do tipo, mas sempre imaginei que seria compreendida um dia, ao menos pela pessoa que amo. Sou muito transparente, cada vez mais sou pior em atuar, talvez porque eu tenha cansado de mentir, ou melhor, de fingir. Não vou mais fazer de conta, se estou bem, quero que todos percebam como estou feliz, se estou mal, não preciso da pena de ninguém, mas também não preciso fazer de conta que não tá acontecendo nada e continuar sorrindo, cansei das máscaras. Agora tudo o que eu quero é ficar bem e faz parte disso um pouco de reclusão. Isso não é ser chata, é só cansaço. Estou cansada de ter todos os olhos voltados pra mim, quando tudo o que eu quero é sumir, passar sem ter que dizer que tá tudo bem ao ser cumprimentada. Aliás, essa é uma das coisas que mais me intrigam, tudo bem, tudo bem, basta dizer oi, até mais, por que tenho que dizer que tá tudo bem se nem sempre é assim?
Hoje era uma das noites em que eu precisava de um pouco de tranquilidade, faria bem um pouco de silêncio, um pouco de carinho, não queria só ficar em casa, mas o Vadião também não era a solução dos meus problemas. Pensei que isso havia sido percebido, pelo jeito não, às vezes é preciso mais que gestos, mais que deixar subtendido, será que precisava gritar? É demais querer colo?
Estamos todos sob pressão, os últimos acontecimentos, todas as obrigações inadiáveis do dia-a-dia, somados ao final de ano é isso mesmo, totalmente compreensível, daí achar que lugar cheio, música alta e da pior qualidade, diga-se de passagem, cheiro de álcool e cigarro iriam animar minha noite é demais. Deveria ter fugido, corrido pra casa, ter me enrolado no meu cobertor, agarrado meu urso de pelúcia... umas horas olhando pro teto pensando nas consequências das minhas loucuras não teriam me entediado tanto no final das contas.
Sei que a vida não é o que se quer que seja o tempo todo, menos ainda as pessoas, por isso mesmo sei que não posso ter todos os meus desejos atendidos, bastava dizer que naquele momento não seria possível atendê-los. Amo meu tempo livre, meu espaço, logo, vou respeitar o tempo livre do outro, o espaço do outro, mesmo que isso signifique ficar em segundo plano às vezes, relacionamento também é negociação, é saber ceder. Por enquanto, preciso me revestir de paciência e entendê-lo mesmo que eu não seja entendida, é o preço a se pagar, não escolhi me apaixonar, mas resolvi que poderia lidar com isso, então talvez este não seja o momento de desdenhar a dádiva de ter alguém pra amar, afinal, não era isso que eu tanto queria?

quinta-feira, novembro 11, 2010

Rascunho de algo pra o meu menino

Te amar é parte de mim. Passou a ser no dia em que entrei naquele ônibus e nossos olhares começaram a se encontrar. Foi tudo tão rápido e tão perfeito que na segunda de manhã entre substantivos e verbos, sujeitos e predicados, tentei me convencer de que era apenas um sonho pra não me perder entre palavras. Desde então, te amar passou a fazer parte do meu sorriso, do meu olhar, da minha vida, tudo em mim passou a ser um pouco teu. Os meus dias mais felizes são mais completos porque estás do meu lado, os mais tristes são mais fáceis porque os passo entre os teus braços.
É em ti que me reconheço, me reencontro, me refaço e me amplio, me exploro, me descubro. As marcas profundas que deixaste gritam a qualquer desavisado que parte de mim te pertence, que agora sou porque me encontrei em ti.

sábado, outubro 30, 2010

"Tarde demais o conheci, por fim; cedo demais, sem conhecê-lo, amei-o." (William Shakespeare)

"O verdadeiro nome do amor é cativeiro." (William Shakespeare)